Retardar o envelhecimento através da genética é uma questão de anos, 22 Maio 2020
Declarações da presidente do IMM João Lobo Antunes
22 maio 2020
A cientista Maria Carmo-Fonseca defendeu que "vai ser uma questão de anos" para haver terapias genéticas "suficientemente seguras" para retardar o envelhecimento humano.
A presidente do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, da Universidade de Lisboa, participou numa videoconferência, a que a Lusa teve acesso, promovida pela Culturgest sobre longevidade, em particular sobre a medicina de precisão e personalizada baseada no conhecimento genético.
Segundo Maria Carmo-Fonseca, que dirige o laboratório de regulação génica, é possível reverter o envelhecimento através da manipulação das ordens dadas pelos genes às células, que vão perdendo intensidade com a idade.
"Vai ser uma questão de anos ter estas terapias suficientemente seguras dos animais para os humanos", sustentou a investigadora, alertando para "alguma cautela" ao fazer-se manipulação genética em pessoas.
A especialista em genética e biologia molecular assinalou que é preciso "dosear as manipulações genéticas" para serem seguras e evitar efeitos secundários como o aparecimento de cancros.
Para Maria Carmo-Fonseca, será ainda possível "viver mais tempo e bem" com a toma de eventuais medicamentos que reproduzam no organismo os efeitos benéficos gerados pela "restrição calórica" e pela "transfusão de sangue jovem" em pessoas mais velhas.
Experiências realizadas com animais revelaram, segundo Maria Carmo-Fonseca, que a redução em 30% da ingestão de alimentos contribuiu para que os animais vivessem cerca de 40% mais tempo e saudáveis.
No seu laboratório, dois investigadores estão a trabalhar numa droga, que, administrada a ratinhos, produzirá "o mesmo efeito de uma transfusão de sangue jovem".
Para a presidente do IMM, um "desafio para a ciência" é como se pode "chegar aos 120 anos ou mais", sendo "mais tempo saudável e mais produtivo".
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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