Exposição a bactérias boas durante a gravidez reduz risco de autismo, 2 Junho 2020

Descoberta publicada na revista “Brain, Behavior, and Immunity”

02 junho 2020
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Investigadores da Universidade de Colorado em Boulder, Estados Unidos da América, verificaram que a administração de bactérias benéficas a mães stressadas previne o autismo nos bebés.
 
Num estudo anterior, foi descoberto que quando os ratos eram expostos ao stress e lhes era administrada uma droga chamada terbutalina as suas crias demonstravam uma síndrome de autismo, incluindo as duas características distintivas dos défices sociais e do comportamento repetitivo, sendo que também desenvolveram um distúrbio convulsivo tipo epilepsia.
 
Para o estudo, os investigadores expuseram ratos a fatores de stress ligeiro e deram-lhes terbutalina durante o que seria o equivalente ao terceiro trimestre de gravidez em humanos.
 
Metade recebeu também uma série de injeções de uma preparação termorrecetora de uma bactéria amigável conhecida como Mycobacterium vaccae (M. vaccae), que possui efeitos anti-inflamatórios duradouros no cérebro. Um terceiro grupo de controlo de ratos não recebeu qualquer tratamento.
 
Aos dois e quatro meses, as crias foram submetidas a uma série de testes que avaliaram, entre outras coisas, o seu grau de interação social e se apresentavam comportamentos repetitivos.
 
Tal como no estudo anterior, as crias cujas mães tinham sido stressadas e a quem tinha sido dada terbutalina mostraram comportamentos de autismo, mas aqueles que tinham sido imunizados com M. vaccae não mostraram quaisquer sinais da doença.
 
Os investigadores verificaram que a inoculação não pareceu proteger contra o desenvolvimento de convulsões, mas, como a epilepsia tende a se desenvolver mais tarde na vida, estes pretendem repetir a experiência com uma amostra maior e um período de tratamento mais longo.
 
O autismo e a epilepsia manifestam-se frequentemente em conjunto nos seres humanos, com cerca de 30% dos indivíduos autistas exibindo sintomas epiléticos, tais como convulsões. A inflamação induzida por stress provavelmente desempenha um papel em ambos, suspeitam os investigadores.
 
O estudo reforça a ideia de que a exposição a microrganismos benéficos pode desempenhar um papel crítico no desenvolvimento do cérebro no útero.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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