COVID-19: Investigadores estudam possibilidade de o vírus infetar células tumorais, 18 Junho 2020
Declarações do i3S
18 junho 2020
Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) vão estudar tecidos tumorais de doentes com COVID-19 para perceber se o SARS-CoV-2 infeta as células tumorais e muda o seu comportamento.
Em declarações à Lusa, Fernando Schmitt, investigador do i3S, no Porto, afirmou que o projeto visa estudar a presença do vírus e do recetor ACE, recetor presente na membrana celular e através do qual o SARS-CoV-2 infeta as células humanas, em tecidos tumorais.
“O ACE já foi descrito no passado como positivo em diferentes tipos de cancro. Portanto, a nossa curiosidade é: se alguns tipos de cancro têm o recetor, será que o vírus pode entrar na célula tumoral ou ligar-se a uma célula tumoral como se liga à célula normal?”, explicou o investigador do instituto da Universidade do Porto.
O projeto, desenvolvido no âmbito da 2.ª edição da linha de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), “RESEARCH 4 COVID-19”, vai também estudar algumas glicoproteínas como a furina, que “interferem na capacidade de ligação entre o vírus e o recetor”.
Com o objetivo de “saber se há vírus ou não há vírus nas células tumorais”, os 10 investigadores que integram o projeto vão estudar os tecidos tumorais de doentes com COVID-19 que, durante o surto pandémico, tiveram de ser sujeitos a intervenções de emergência no Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto.
Posteriormente, vão comparar os dados recolhidos com os tecidos tumorais de doentes “controlo”, ou seja, que não foram infetados pelo SARS-CoV-2 e que durante o surto pandémico da COVID-19 em Portugal não tiveram de sofrer uma intervenção de emergência.
Além de quererem saber se o vírus “entra” nas células tumorais, os investigadores pretendem também perceber se provoca modificações, ou seja, se as células “invadem mais, proliferam mais ou até morrem mais”.
“Hoje há uma grande questão na oncologia que é: será que estes doentes podem ser tratados ou não? Devem ser tratados ou não? Podem fazer quimioterapia ou não? Tudo isto pode dar algumas respostas a essas questões”, referiu Fernando Schmitt, adiantando que os resultados podem mesmo levar a um projeto de “maior dimensão”.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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