COVID-19: Doentes graves nos cuidados intensivos triplicavam sem confinamento, 29 Maio 2020

Análise da ENSP

29 maio 2020
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O número de doentes graves com COVID-19 internados nos cuidados intensivos seria o triplo na primeira quinzena de abril sem o confinamento segundo a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).
 
"Sem o confinamento decretado pelo Governo em meados de março de 2020, as unidades de cuidados intensivos dos hospitais do SNS (Serviço Nacional de Saúde) teriam tido que atender, entre 01 e 15 de abril, uma avalanche de 748 doentes graves com COVID-19, três vezes mais do que os 229 que precisaram desse tipo de cuidados", lê-se na análise divulgada pela ENSP à Lusa.
 
Os investigadores realçam: "A ação antecipada deu tempo para o SNS adquirir equipamentos de proteção, aumentar a capacidade de testar e lidar com o aumento da procura hospitalar e de cuidados intensivos causada pela pandemia".
 
Os especialistas referem que "Portugal atuou cedo ao decretar o confinamento quando ainda só tinha registado 62 casos e nenhum óbito", e que "os portugueses aderiram de forma efetiva às medidas de confinamento decretadas pelas autoridades, reduzindo a sua mobilidade em cerca de 80%".
 
De acordo com o estudo, as medidas de confinamento contribuíram para que, nos primeiros quinze dias de abril, Portugal tivesse registado menos 5.568 casos (-25%) de COVID-19, menos 146 mortes (-25%), e menos 519 (-69%) internamentos em unidades de cuidados intensivos do que seria de esperar se não tivesse sido decretado o confinamento.
 
"Este estudo compara o número de novos casos e óbitos, e o número de camas ocupadas em internamento geral e em unidades de cuidados intensivos por COVID-19, observados entre 01 e 15 de abril, com os valores esperados para esse período se não tivessem sido tomadas as medidas de confinamento e os portugueses não as tivessem cumprido", assinalam os autores, que usaram os dados publicados pela Direção-Geral da Saúde.
 
Os valores esperados para o número de novos óbitos, internados em internamento geral e em cuidados intensivos em cada dia foram estimados com base em modelos de alisamento exponencial aplicados ao período até 31 de março, revelam.
 
Já os valores esperados para o número de casos foram "estimados com um modelo ARIMA aplicado ao mesmo período", sublinha a ENSP, acrescentando que "estes modelos foram os que melhor se ajustaram às respetivas curvas até 31 de março de 2020".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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