Análise à tiroide devia fazer parte do rastreio das grávidas, 26 Maio 2020
Declarações de especialista da SPEDM
26 maio 2020
A Sociedade Portuguesa de Endocrinologia defende que a análise à função da tiroide deve ser incluída nos rastreios da mulher que quer engravidar.
Em declarações à agência Lusa, Maria João Oliveira, da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), explica que, por vezes, a análise à função da tiroide é fácil de fazer, não é dispendiosa, deveria estar incluída no rastreio normal pedido à mulher que quer engravidar e ser feita no primeiro trimestre da gravidez.
“Assim, [com o rastreio prévio] evitamos que ou a mulher tenha dificuldade em engravidar ou engravide e a gestação não corra bem”, acrescentou.
A endocrinologista explica que a disfunção mais frequente da tiroide é o hipotiroidismo, “quando a tiroide começa a produzir uma menor concentração de hormonas do que aquelas que são necessárias ao funcionamento normal do organismo”.
“É uma doença que se manifesta de forma gradual e insidiosa porque o nosso organismo é tão perfeito que, quando a tiroide começa a funcionar de forma anormal, ele tenta poupar ao máximo as hormonas da tiroide. Portanto, o aparecimento de sintomas geralmente é muito lento e os próprios sintomas são muito inespecíficos”, disse.
O aumento de peso, desânimo, cansaço, falta de vontade para realizar as tarefas habituais, enfraquecimento do cabelo, que pode cair mais, e das unhas e alterações do sono são alguns dos sinais que podem indicar uma alteração no funcionamento da tiroide.
“Na mulher em idade fértil pode surgir uma irregularidade menstrual e a pessoa também fica com mais frio”, explica Maria João Oliveira, lembrando que estes sintomas são muito específicos e, se a pessoa e o médico não estiverem atentos, o diagnóstico é feito muito tarde, quando já há hipotiroidismo clínico declarado”.
Se a disfunção for detetada antes da gravidez, a especialista diz que se pode prescrever a toma de uma das hormonas da tiroide que existe em comprimido e que se vai ajustando a dose, sublinhando que o tratamento do hipotiroidismo é mais simples do que o do hipertiroidismo, mas é um tratamento para toda a vida.
Segundo a SPEDM, as estimativas indicam que os distúrbios da tiroide afetam entre 5% a 10% dos portugueses e que as mulheres são mais afetadas.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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