Um vazio para recordar nas autoestradas do Luxemburgo: Diário Pandemia COVID-19, 28 Abril 2020
28 abril 2020
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Apercebi-me este domingo que estou fechado em casa, com a minha esposa, o nosso neto, os nossos livros e as nossas fotografias há 45 dias! Tenho 60 anos e durante toda a minha vida, mesmo quando estive hospitalizado, nunca estive tanto tempo fechado em casa.
 
Desejoso de me libertar desta pena e são de corpo e alma – pelo menos parece que sim, embora desconfie que nem toda a gente pense assim – e também farto de estar em casa a cogitar onde passar o fim de semana – se na sala, no quarto ou no jardim – decidi que iria aproveitar o sol deste domingo para sair de casa. Afinal a primeira fase do desconfinamento aqui no Luxemburgo já começou e até os motards foram autorizados a circular.
 
Deparei-me então com o que se vê nas imagens deste artigo: num domingo ao fim do dia, autoestradas e estradas nacionais totalmente desertas. Nem carro, nem camião, nem vivalma. Para o bem da qualidade do ambiente e da nossa carteira. E também para minha estupefação.
 
A última vez que vi uma cidade assim foi em Lisboa, no dia 25 de abril de 1974. Nessa manhã cedinho lá fui eu cumprir o meu dever, praticamente sozinho nas ruas, desde a Antero Quental, passando pelo Rossio, até ao Largo do Carmo, onde estudava na Veiga Beirão, o então aluno n° 777 da turma 3/16. Eram quase 9h00 da manhã e o Largo do Carmo estava, a essa hora, totalmente deserto. Salvo uma pessoa, eu.
 
 
Estado anormal captado ao fim do dia durante esta pandemia à esquerda e estado habitual do trânsito numa hora de ponta no Luxemburgo, país onde passa um dos eixos mais importantes das autoestradas europeias, designadamente os eixos Londres – Milão e Valência – Amesterdão e está situada a maior estação de serviço da Europa (num só dos seus dois sentidos, mais de 1 000 000 de carros, 165 000 camiões e 850 000 clientes são ali atendidos anualmente).
 
Francis da Silva
Luxemburgo
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