Um caso Português e a importância do tratamento anti-inflamatório precoce na infeção COVID-19: Diário Pandemia COVID-19, 6 Abril 2020 (texto revisto às 10.10h)
06 abril 2020
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Tomei ontem conhecimento de um adulto Português que terá feito a terapêutica para eliminação do vírus e, depois de ter melhorado e ficado assintomático, entrou em dificuldade respiratória um dia mais tarde, pelo que veio a ser internado e colocado em ECMO (Oxigenação por Membrana Extra-Corpórea) em apenas 24 horas.

 

Isto parece denotar duas fases da doença por COVID-19 – a fase infecciosa na primeira semana seguida da fase inflamatória na segunda semana, sendo que apenas alguns doentes entram nesta segunda fase – e a importância de prevenir a fase inflamatória da doença pulmonar além da eliminação do vírus.

 

Recomendo aos colegas que podem tomar decisões clínicas dar ouvidos a Espanha onde anti-inflamatórios parecem estar a ser usados por rotina para prevenir a pneumonia grave quando há sinais de infiltrado pulmonar no RX.

 

É este o testemunho do Dr. Angel Atienza, internista responsável da área COVID no Hospital Universitário Doctor Peset, em Valência, onde se desenvolveu um protocolo adiante da fase inflamatória com base na interpretação de que o aparecimento de infiltrados pulmonares no RX do tórax já será indicativo do processo inflamatório e que é importante atuar antes que apareçam a lesão anatómica da membrana alvéolo-capilar e o distress respiratório (https://threadreaderapp.com/thread/1246429703965212672.html).

 

Para isso, estão a usar 80 mg de metilprednisolona diários em bolus ou 2 vezes 40 mg a cada 12 horas além de outros anti-inflamatórios como tocilizumab ou anakinra, contrariamente ao que a OMS recomenda, já que esta organização considera o uso de corticosteroides contraindicado na infeção por COVID-19.

 

O caso do doente português parece mostrar duas coisas: é possível eliminar o vírus mas é preciso também prevenir a fase inflamatória que conduz à pneumonia grave.

 

É necessário recolher dados. No entanto, faz sentido considerar que o que esteja a matar os doentes não seja a infeção mas a reação inflamatória.

 

Esta abordagem deve ser apenas ponderada por médicos e não por automedicação, sendo que o momento do início da terapêutica anti-inflamatória também deve ser uma decisão médica.

 

A OMS pode estar errada como está seguramente errada quando considera que o uso de máscaras não tem benefícios demonstrados. Basta ver os números de Taiwan, onde há um uso generalizado de máscaras em toda a população. Com o primeiro caso registado a 21 de Janeiro, ainda hoje (6 de Abril de 2020) tem apenas 348 casos no total e também apenas 5 mortes por COVID-19 (com 1 563 pacientes testados por milhão de habitantes), números que são superados largamente em cada dia em Portugal nesta fase da pandemia (Portugal com o primeiro caso oficial a 2 de Março tem já 11 278 casos e 295 mortes por COVID-19, com 8 470 pacientes testados por milhão de habitantes).

 

M. Jorge Guimarães, M.D., Ph.D.

Founder & President

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Comentários 3 Comentar

Obrigado Ricardo

Ajuda a divulgar o email à Senhora Ministra da Saúde:
http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/email-de-jorge-guimara...
Precisamos de convencer Portugal de que a OMS está errada sobre a importância do uso de máscaras.
Um abraço e saudades de toda a equipa ALERT, Jorge

Lesões pulmonares pós- cov

Obrigado pela sua informação. Contudo pergunto e a utilização Colchicina ?

Obrigado

Obrigado Jorge. Obrigado Alert!
Haja saúde.
Ricardo