Tratamento COVID-19: um trabalho em curso
Diário Pandemia COVID-19, 31 Julho 2020
31 julho 2020
Para além do potencial imediato de perda de vida e sobrecarga dos serviços de saúde, o impacto socioeconómico da COVID-19 acarreta uma urgência na necessidade de desenvolver estratégias efetivas para a prevenção e tratamento da doença.
No que diz respeito a vacinas e terapias, o desenvolvimento duma nova vacina requer pelo menos 12 meses, e novas terapias medicamentosas, da investigação até à autorização de comercialização, tipicamente compreendem 10 ou mais anos.
Assim, encontrar tratamentos num cronograma mais reduzido é alcançado através do reaproveitamento de medicamentos existentes, com perfis farmacológicos e de segurança já conhecidos.
Depois dos avanços relativos em relação ao uso do remdesivir e da dexametasona para o tratamento da COVID-19, vários ensaios decorrentes, como os de mais larga-escala, Solidarity da OMS, DisCoVery em França e RECOVERY da Universidade de Oxford, ou os ensaios mais focados, específicos de um medicamento, para imunomoduladores (infliximab, tocilizumab, sarilumab, baricitinib, anakinra), corticosteroides (dexametasona, prednisona, metilprednisolona), antivíricos (favipiravir) e anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno), entre outros, ainda não produziram mais resultados, sejam preliminares ou não.
Enquanto que alguns medicamentos são identificados para estudo empiricamente, uma estratégia para a análise de um número grande, potencialmente milhares, de moléculas num período relativamente curto de tempo é através da análise computacional de bases de dados de medicamentos existentes.
Um desses estudos identificou 13 medicamentos, de entre mais de 12 000, que inibem a replicação viral, com relação dose-resposta e concentrações efetivas atingíveis em doentes em doses terapêuticas. Este estudo salientou o apilimod, um inibidor PIKfyve quinase, que é, como resultado, o objeto dum ensaio clínico de fase II, em colaboração com a Universidade de Yale.
Enquanto que o apilimod e outros medicamentos são promissores, teremos que aguardar os resultados de ensaios clínicos cuidadosamente concebidos de forma a determinar a resposta ao vírus SARS-CoV-2 em humanos, e assim apurar a sua eficácia em tratar esta doença.
Melanie Salgado
Farmacêutica e Analista de Conteúdos de Medicação
ALERT Life Sciences Computing
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