Cientistas portugueses descobrem potencial tratamento contra a sépsis
Declarações de investigadores do IGC, 19 Outubro 2020
19 October 2020
Uma equipa de investigadores portugueses descobriu que um determinado grupo de antibióticos também confere proteção contra a sépsis, além de ajudar no controlo direto da infeção.
Num estudo publicado recentemente, os investigadores concluíram que as tetraciclinas (antibióticos de largo espetro) inibem parcialmente a atividade das mitocôndrias das células e, ao fazê-lo, induzem uma resposta compensadora do organismo que diminui os danos causados nos tecidos durante uma infeção, como a sépsis.
Segundo Luís Moita, investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) que liderou o estudo, estes antibióticos atuam sobre uma estrutura das bactérias semelhante a uma estrutura das células, a mitocôndria.
Pela sua semelhança, quando atacam as bactérias acabam também por atuar sobre as células, ainda que em menor grau, e nessa altura desencadeiam uma resposta que ajuda a “lidar com esse stress”.
“De forma simples, o que acontece é que os antibióticos têm alvos que são parecidos nas bactérias que pretendem matar e no nosso organismo, e quando estão no nosso organismo ativam respostas que nos ajudam a lidar com a infeção”, explicou Luís Moita à Lusa.
Estas respostas são desencadeadas pela presença, na maioria dos organismos, de mecanismos de defesa contra perturbações da homeostasia e um dos gatilhos principais para ativar esses mecanismos é a ativação de sinais de alarme pelas diversas estruturas internas das células, incluindo as mitocôndrias.
Na investigação desenvolvida no IGC, os autores do estudo procuraram estudar um conjunto de medicamentos conhecidos pelas suas capacidades de interferir com funções básicas das células, para perceber se haveria outras funções no organismo que, quando perturbadas, pudessem originar respostas compensadoras que ajudassem na resposta à infeção.
Nas suas observações, os investigadores verificaram que a doxiciclina, um antibiótico da família das tetraciclinas, confere um aumento na capacidade de sobrevivência à sépsis em ratinhos, independentemente dos seus efeitos na carga bacteriana.
Segundo Henrique Colaço, o outro autor do estudo, estes benefícios estendem-se até aos pulmões, com uma diminuição dos danos nas células e a ativação de mecanismos de reparação dos tecidos.
O próximo passo da equipa é um ensaio clínico, em que as tetraciclinas serão introduzidas no tratamento dos doentes, de forma a perceber se são efetivamente úteis e se melhoram a evolução dos doentes.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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