Tratamento COVID-19: onde estamos?

Diário Pandemia COVID-19, 7 Julho 2020

07 July 2020
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A CHMP (Committee for Medicinal Products for Human Use) fez, pela primeira vez em relação a tratamentos específicos à COVID-19, uma recomendação à EMA (Agência Europeia do Medicamento) para conceder uma autorização condicional de introdução no mercado ao remdesivir, um medicamento antivírico.

 

A EMA, a partir de 3 de julho, autorizou a comercialização do remdesivir para o tratamento da COVID-19 em doentes a partir dos 12 anos de idade com pneumonia que requerem oxigenoterapia. Na Europa, a autorização condicional de introdução no mercado permite a comercialização deste medicamento com dados menos abrangentes do que seriam habitualmente necessários, quando circunstâncias excecionais determinam que os benefícios superam os riscos.

 

Entretanto, os EUA estão a ser amplamente criticados por açambarcar o abastecimento deste medicamento, ao fazer um acordo com o laboratório farmacêutico Gilead Sciences. A Gilead já estava sob escrutínio após anunciar preços para o remdesivir na semana passada.

 

Vários estudos foram considerados levando até esta recomendação, incluindo os resultados preliminares do estudo NIAID-ACTT-1, publicado em maio. Os dados preliminares de primeira fase indicam uma redução estatisticamente significativa do tempo de recuperação em doentes que requerem hospitalização, desde 15 dias para o grupo controlo até 11 dias para o grupo tratado com remdesivir. Os investigadores realçam os benefícios de iniciar o tratamento com antivíricos antes que a progressão pulmonar da doença exija ventilação mecânica. Apesar da melhoria dos resultados, a mortalidade permanece elevada, sugerindo que o uso exclusivo de medicamentos antivíricos será insuficiente em superar a doença.

 

O remdesivir continua a ser estudado em vários ensaios clínicos, incluindo o ensaio Solidarity da OMS, e o ensaio DisCoVery em França.

 

O ensaio clínico RECOVERY da Universidade de Oxford não encontrou benefício clínico no uso de hidroxicloroquina ou lopinavir-ritonavir, no entanto forneceu informação valiosa em relação ao uso de dexametasona na redução de mortalidade em doentes que requerem oxigenoterapia.

 

Enquanto que vários ensaios clínicos envolvendo a hidroxicloroquina e/ou lopinavir-ritonavir, como o RECOVERY, têm sido suspensos ou concluídos, muitos outros medicamentos continuam a ser investigados e testados em todo o mundo, incluindo: imunomoduladores (infliximab, tocilizumab, sarilumab, baricitinib, anakinra), corticosteroides (dexametasona, prednisona, metilprednisolona), antivíricos (favipiravir) e anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno).

 

Continuam a ser feitos avanços todos os dias no sentido dum tratamento eficaz e seguro da COVID-19, contudo, estamos ainda a um longo caminho de uma diretriz de tratamento definitiva.

 

Melanie Salgado

Farmacêutica e Analista de Conteúdos de Medicação

ALERT Life Sciences Computing

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