Zumbidos nos ouvidos: mecanismo foi identificado

Estudo publicado na “Hearing Research”

16 maio 2012
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Investigadores do Reino Unido descobriram o mecanismo celular responsável pelo desenvolvimento dos acufenos ou vulgarmente conhecidos por zumbidos nos ouvidos, sugere um estudo publicado na revista “Hearing Research”.

 

Cerca de 10% da população é afetada pela perda de audição e acufenos, perceção de um som, no ouvido ou na cabeça, uni ou bilateralmente, sem a existência de um estímulo externo, que se desenvolve tipicamente após a sobre-exposição a sons de elevada intensidade.

 

Os cientistas têm especulado que os acufenos são causados por danos nas células nervosas nos ouvidos, mas até à data, não existem fármacos disponíveis para o tratamento ou prevenção deste sintoma.

 

“Necessitamos de saber as implicação da sobre-exposição acústica, não apenas em termos de perda auditiva como também saber o que ocorre no cérebro e no sistema nervoso central. Acredita-se que os acufenos resultam da alteração da excitabilidade das células no cérebro, as células tornam-se mais reativas”, revelou em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Martine Hamann.

 

Neste estudo, os investigadores da University of Leicester, no Reino Unido, analisaram as células do núcleo coclear dorsal, que transporta os sinais acústicos das células nervosas do ouvido para zonas do cérebro que descodificam e “interpretam” os sons. Foi verificado que a exposição a sons elevados despoletava, poucos dias depois, a perda de audição e também uma atividade descontrolada dos neurónios do núcleo coclear dorsal. Esta alteração, que ocorre rapidamente, conduz ao aparecimento dos acufenos.

 

Os investigadores descobriram também o mecanismo que leva à excessiva atividade  dos neurónios. Eles constataram que se os canais de potássio que ajudam a controlar a atividade elétrica das células nervosas não funcionarem, os neurónios são incapazes de voltar a um estado de repouso. Estas células disparam regularmente e voltam, também regularmente, ao seu estado de repouso. No entanto, caso os canais de potássio não se encontrem funcionais, as células são incapazes de voltar ao estado de repouso e continuam consequentemente a disparar, o que conduz a uma sensação de ruído constante apesar de não haver nenhum ruído externo.

 

De acordo com os autores do estudo estes resultados poderão permitir o desenvolvimento de novos fármacos para a prevenção e tratamento desta condição. Atualmente os investigadores estão a investigar potenciais fármacos que consigam controlar os danos ocorridos nas células. A descoberta deste tipo de fármacos poderá significar que os pacientes fiquem protegidos contra o aparecimento dos acufenos após terem estado a expostos à sobre-exposição acústica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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