XVI reunião das Taipas discute alteração do kit do programa troca de seringas

Encontro decorre na Fundação Calouste Gulbenkian e reúne 500 técnicos

28 abril 2003
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A alteração do «kit» do programa «Diz não a uma seringa em segunda mão», que previne a transmissão de doenças infecciosas entre toxicodependentes, é um dos temas do XVI Encontro das Taipas, que ontem se iniciou em Lisboa.
 

 

O «kit», que inclui, entre outros elementos, uma seringa descartável, é entregue ao toxicodependente em troca de uma seringa já utilizada e visa evitar que os consumidores de droga partilhem entre si material de consumo injectável de drogas.
 

 

Subordinado ao tema «Terapêuticas», o encontro junta mais de 500 técnicos portugueses e espanhóis na Fundação Calouste Gulbenkian, que irão igualmente debater os vários fármacos actualmente empregues no tratamento da toxicodependência.
 

 

Além da análise de casos clínicos, serão também discutidos temas como o papel dos profissionais de enfermagem na aplicação dos tratamentos e as várias políticas terapêuticas seguidas na Europa.
 

 

Paralelamente ao encontro, decorrem no Centro de Atendimento a Toxicodependentes das Taipas, também em Lisboa, dois workshops, que abordarão os vários tipos de apoio psico- terapêutico ministrado aos toxicodependentes em tratamento e os critérios que determinam a escolha de determinada substância farmacológica.
 

 

Menos toxicodependentes com VIH
 

 

A percentagem de infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) entre os toxicodependentes que recorreram este ano a tratamento no Centro das Taipas, em Lisboa, desceu relativamente a anos anteriores, segundo dados fornecidos à Agência Lusa.
 

 

As estatísticas indicam que dos 112 toxicodependentes testados ao VIH durante o primeiro trimestre deste ano, apenas nove tiveram resultado positivo (oito por cento).
 

 

Durante este período, foram feitas um total de 3.211 análises aos 851 toxicodependentes que recorreram a tratamento naquele centro, para pesquisa de consumo de droga e doenças infecto-contagiosas.
 

 

De acordo com os dados, mantém-se muito elevada a percentagem de toxicodependentes com o vírus da hepatite C, sendo superior a 60 por cento.
 

 

As análises efectuadas revelam ainda que, dos 851 toxicodependentes testados neste trimestre, 591 não revelaram o uso de qualquer droga, enquanto que 30 apresentaram «algum consumo» de drogas por via injectável (endovenosa).
 

 

O Centro das Taipas ministrou tratamentos de substituição opiácea com Buprenorfina a 185 dos 851 toxicodependentes que recorreram ao apoio daquele serviço do Instituto das Drogas e da Toxicodependência no primeiro trimestre deste ano.
 

 

A quantidade de toxicodependentes de heroína que nestes três meses foram medicados com este fármaco de substituição opiácea atingiu quase o mesmo número dos que foram tratados com o mesmo medicamento entre 1999 e 2002 - cerca de 200.
 

Medicamento de toma sublingual, a buprenorfina é, ao mesmo tempo, um substituto parcial de opiáceos como a heroína, em doses ajustadas (agonista parcial), e um inibidor do desejo, impedindo o prazer em caso de consumo (antagonista). É um fármaco complementar da metadona e não concorrente.
 

 

Segundo o director do Centro de Atendimento a Toxicodependentes (CAT) das Taipas, Luís Patrício, sublinhou que a utilização deste medicamento, vendido com o nome Subutex, tem de ser sempre acompanhada por uma intervenção a nível psico-terapêutico. Mas ressalvou que, apesar de a buprenorfina ter «alargado bastante o leque de respostas, não é um milagre que resolve o problema» da dependência de opiáceos.
 

 

Fonte: Lusa
 

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