Xenotransplante já é possível?

Cientistas clonaram porcos capazes de doar órgãos ao homem

22 agosto 2002
  |  Partilhar:

A clonagem permitiu que cientistas criassem porcos sem as duas cópias do gene que leva o sistema imunitário humano a rejeitar transplantes de tecidos provenientes de suínos.
 

 

Trata-se de um desenvolvimento que aproxima o dia em que estes animais serão fonte inesgotável de órgãos transplantáveis no homem.
 

 

A PPL Therapeutics plc., a companhia escocesa que clonou a ovelha Dolly em 1997, o primeiro mamífero clonado a partir de células adultas, anunciou que quatro leitões saudáveis sem as duas cópias do gene nasceram a 25 de Julho numa empresa norte-americana subsidiária em Blacksburg, Virginia.
 

 

Segundo a fonte, um quinto leitão morreu pouco tempo depois do nascimento, faltando ainda averiguar as causas do sucedido.
 

 

A PPL Therapeutics e a sua rival Immerge BioTherapeutics anunciaram em Janeiro ter criado porcos sem uma das duas cópias do crítico gene, designado GGTA1.
 

 

Este desenvolvimento aproxima-nos de uma solução para a carência mundial de órgãos e células para transplante, afirmou David Ayares, vice-presidente da PPL Therapeutics Inc, a subsidiária norte-americana.
 

 

O gene GGTA1 produz um açúcar conhecido por alpha-1-galactose, que origina os vasos sanguíneos do porco. Por ser quase idêntico a um açúcar bacteriológico, o sistema imunitário humano ataca-o.
 

 

Como resultado, os órgãos de porco transplantados no homem são neutralizados quase imediatamente.
 

 

Os cientistas prevêem que o transplante de corações geneticamente modificados e de outros órgãos de porcos em pessoas, uma abordagem conhecida por xenotransplante, será possível dentro de cinco a sete anos, mas admitem que continuam por resolver muitas questões científicas e éticas.
 

 

Ninguém sabe ao certo se os porcos serão capazes de sobreviver sem o alpha-1-galactose. Mas se forem, os animais poderão ser criados para fornecer corações e fígados transplantáveis no homem.
 

 

Os cientistas terão ainda de testar o processo através do transplante dos órgãos de porco noutros animais, como babuínos.
 

 

Outra preocupação é a de saber se os órgãos terão vírus suínos prejudiciais ao homem, capazes de alastrarem do órgão transplantado para outros.
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.