Xarope não combate a tosse

Novo estudo promete polémica na pediatria

07 julho 2004
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Os xaropes fazem bem à tosse? Apesar de nos parecer uma afirmação, a verdade é que podem nem sequer fazer nada. Pelo menos é o que sugere um estudo norte-mericano publicado na revista médica «Pediatrics».A investigação refere que duas substâncias comummente utilizadas em xaropes comerciais contra a tosse, a difenidramina e o dextrometorfano, são tão eficientes quanto a água com açúcar.A equipa liderada pelo pediatra Ian Paul, da Universidade do Estado da Pensilvânia , fez no ambulatório da universidade uma pesquisa com cem pacientes com tosse e idades entre os dois e os 18 anos. Paul e sua equipa administraram a 33 dos pacientes a difenidramina, a outros 33 o dextrometorfano e a 34 um placebo - uma substância inócua.Os resultados foram obtidos por meio de um questionário ao qual os pais tiveram de responder nos dois dias seguintes à entrada dos filhos no hospital. O questionário perguntava, entre outras coisas, sobre mudanças na frequência e na severidade da tosse e na capacidade das crianças em dormir.O resultado foi, no mínimo, inusitado: a tosse foi diminuída nos três tratamentos, mas sem diferença significativa entre eles. Em algumas situações, como no caso da frequência da tosse, o placebo teve melhores resultados que os dois componentes do xarope.Em entrevista à comunicação social, o chefe da equipa de investigadores refere que o «estudo traz uma conclusão: se for para administrar esses medicamentos, é melhor simplesmente não dar nada e deixar a criança o mais confortável possível».Na verdade, aponta o cientista, «há algum tempo que estas substâncias despertam suspeitas». E acrescentou: «os antitússicos -remédios de combate à tosse- não são aprovados por muitas associações de pediatria no mundo». No entanto, o cientista alerta para que não se suspenda o uso de xaropes, dado que «nem todo o medicamento que contém as substâncias é ineficaz, até porque eles aparecem normalmente em associação com outras classes de substâncias, como os broncodilatadores». O pediatra também reconhece que este estudo, por estar baseado em questionários sobre a opinião dos pais poderá ter algumas falhas. «Mas, se o estudo for visto por outro prisma, creio que verificaríamos algo que muitos no mundo já perceberam: as crianças não tossem menos quando tomam essas substâncias. Pelo contrário e estão ainda a expor-se aos riscos dos efeitos secundários.»Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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