Vulnerabilidade dos recém-nascidos às infeções: nova explicação

Estudo publicado na revista “Nature”

11 novembro 2013
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As células que permitem que as bactérias colonizem o intestino dos recém-nascidos também suprimem o seu sistema imunitário, tornando-os mais vulneráveis às infeções, sugere um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Os primeiros dias após o nascimento são um período de desenvolvimento muito importante, uma vez que o sistema imunológico do bebé tem de se adaptar a vários e novos estímulos. Estes incluem microrganismos ambientais que não estão presentes no útero, mas que colonizam os tecidos, nomeadamente dos intestinos e da pele, após o nascimento.
 

Atualmente acredita-se que a vulnerabilidade dos recém-nascidos às infeções reside na imaturidade do sistema imunológico. Contudo, os resultados agora encontrados põem em causa esta crença. De forma a chegar a estes resultados, os investigadores do Centro Médico do Hospital Pediátrico de Cincinnati, nos EUA, centraram-se nas células precursoras dos eritrócitos, conhecidas por células CD71+.
 

Os investigadores observaram que este tipo de células populavam o cordão umbilical dos ratinhos e humanos recém-nascidos para impedir o sistema imunológico de reagir de forma exagerada à medida que se adapta ao novo ambiente. De acordo com os autores do estudo, este processo desempenha um papel importante no desenvolvimento dos intestinos das crianças, uma vez que impede a resposta inflamatória à colonização de bactérias que ajuda no processo de digestão e de outras funções associadas.
 

De forma a perceber se a supressão do sistema imunitário ocorria para além dos intestinos, foram transferidas células do sistema imunitário de um ratinho adulto para um recém-nascido. Tendo sido observado que as moléculas do sistema imune protetoras não tinham sido produzidas, deste modo a imunidade dos ratinhos recém-nascidos não tinha aumentado.
 

Os investigadores também transferiram células do sistema imunitário dos recém-nascidos para ratinhos adultos expostos a uma infeção. Nestes ratinhos, as células imunes neonatais produziram moléculas protetoras, que ajudam o sistema imunológico a montar uma resposta contra as infeções.
 

De acordo com os investigadores, liderados por Sing Sing Way, os benefícios da imunossupressão levada a cabo pelas células CD71+, as quais permitem a colonização dos intestinos por bactérias benéficas, é mais importante que a ameaça de uma infeção sistémica. Contudo, os investigadores enfatizam a necessidade de serem criadas novas estratégias que protejam os recém-nascidos destas infeções. O objetivo é encontrar uma forma de conseguir esta proteção e permitir simultaneamente que a células CD71+ ajudem no desenvolvimento de um intestino saudável.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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