Voz materna – o mais doce conforto que uma criança pode ter

As crianças hospitalizadas ficam mais calmas quando ouvem a voz da mãe

31 janeiro 2002
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A voz doce e ternurenta da mãe é o mais doce reconforto que uma criança doente pode ouvir. Esta é a conclusão de uma investigação realizada sob a coordenação de Beverly Shirk, enfermeira pediátrica do Hospital Infantil do Estado da Pensilvânia, em Hershey (Pensilvânia – EUA).
 

 

O estudo, apresentado no domingo passado durante o encontro da Sociedade de Medicina de Terapia Intensiva,em San Diego, revelou que as crianças que estavam nos cuidados intensivos, ligadas à ventilação mecânica, ficavam mais calmas quando ouviam uma gravação da voz da mãe do que quando ouviam uma música calma.
 

 

Beverly Shirk afirmou, numa entrevista à agência Reuters, que acredita que este facto está relacionado com a forte ligação afectiva que existe entre as crianças e as mães: é o chamado conforto primário. «A música pode ter muitos efeitos terapêuticos mas o afago da voz da mãe é realmente o que reconforta a criança», disse.
 

 

Este simples reconforto pode ser uma grande ajuda para o tratamento das crianças hospitalizadas. No entanto, Beverly Shirk reconhece que a eficácia médica da voz da mãe ainda não foi comprovada. Contudo, Shirk e seus colaboradores consideram que a utilização de gravações da voz da mãe - com expressões de afago, até mesmo de mimo - durante os tratamentos hospitalares realizados pelos profissionais de saúde podem ajudar a reduzir a quantidade de sedativos utilizados, que normalmente têm efeitos colaterais indesejáveis e prolongam as hospitalizações. Normalmente, os sedativos são administrados às crianças para as manter calmas e impedir que retirem os tubos necessários para a ventilação mecânica.
 

 

Voz da mãe é um sedativo que não se deve desprezar
 

 

O grupo de trabalho coordenado por Shirk estudaram 29 crianças, com idades entre os três meses e os oito anos, que se encontravam na unidade de cuidados intensivos, com ventilação mecânica. Em seis ocasiões diferentes em que a medicação foi suspensa, os investigadores puseram a criança a ouvir uma gravação em que a mãe falava para ela. Algumas crianças também ouviram a voz do pai. Nestas gravações a mãe, ou o pai, cantavam, liam ou contavam uma história, liam um poema, etc.: o que o seu (sua) filho (a) mais gostasse.
 

 

Depois da gravação ser ouvida pela criança durante uma hora, os investigadores faziam o registo das crianças que apresentavam sinais de agitação ou de irritação. As crianças mostraram menos sinais de agitação e irritação quando a voz da mãe era combinada com música terapêutica suave. «As crianças ficaram mais ‘sedadas’ quando usamos a música terapêutica em combinação c a voz da mãe«, explicou Shirk.
 

 

Embora a audição destas gravações não se tenham traduzido numa menor necessidade de medicamentos, Shirk espera que estudos mais aprofundados, com sessões de tratamento mais prolongadas, por exemplo, ajudem a determinar se isso pode, ou não ser possível.
 

 

Enquanto esses estudos não acontecem , Shirk afirma que os profissionais de saúde podem pedir aos pais para que falem com os seus filhos, contem as suas histórias preferidas e cantem as canções predilectas antes de ser preciso administrar doses adicionais de sedativos. Isso pode ajudar a adiar a dose de medicamentos ou até mesmo diminuir a quantidade necessária.
 

 

Como Shirk explica: «todos os sedativos têm efeitos colaterais adversos e quanto mais tempo a doença se prolongar, mais tempo vai demorar a que os efeitos colaterais desapareçam.»
 

 

Mesmo nas situações mais comuns como uma doença caseira pode aproveitar para acalmar o seu filho com esta técnica. Além dele não sentir que está sozinho, sente-se amado e vai ficar menos agitado. Cante-lhe aquela canção, conte-lhe aquela história e afague-o junto ao seu peito – estes são os primeiros medicamentos que ele vai querer tomar.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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