Vítimas de fobia social reagem a rostos hostis

Pequena área do cérebro é a responsável

16 dezembro 2003
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A experiência de graus ligeiros de ansiedade em situações sociais é denominada por fobia social. O que um novo estudo vem agora referir é que as pessoas que sofrem deste tipo de fobias pioram o seu estado quando são expostas a expressões faciais hostis.
 

As vítimas de fobia social, um tipo de distúrbio de ansiedade, são caracterizadas por excesso de medo e por evitar situações em que há risco de serem avaliadas -- como falar em público ou até comer na presença de outras pessoas.
 

Os investigadores suspeitam que algumas formas de disfunção cerebral estejam relacionadas ao distúrbio, mas as origens biológicas da fobia não são conhecidas. Ainda assim, um estudo recente sugeriu que uma região do cérebro, a amígdala, poderia interferir.
 

Entre as suas funções, a amígdala cerebral ajuda a regular os sentimentos de medo e ansiedade. As provas do estudo também sugerem que essa pequena área do cérebro ajuda na «leitura» da expressão facial de outras pessoas. Há razões para acreditar que os indivíduos afectados pela fobia social possam processar expressões «ríspidas» ou críticas de forma diferente. Essa diferença poderia manifestar-se na actividade da amígdala, segundo os autores do novo estudo.
 

A equipa liderada pelo investigador Murray B. Stein, investigador da Universidade da Califórnia, em La Jolla (San Diego), nos EUA, usou uma técnica denominada ressonância magnética funcional para medir a actividade cerebral em pacientes afectados pela fobia social e em indivíduos não atingidos pela síndroma.
 

Os voluntários observaram fotografias de vários rostos. Os cientistas descobriram que, comparado a voluntários que não apresentavam o distúrbio de ansiedade, o grupo com fobia social teve uma resposta hiperactiva na amígdala quando viu rostos «raivosos» ou «arrogantes».
 

Os 30 voluntários foram expostos a fotos de rostos com expressões de felicidade, raiva, arrogância, medo ou neutras. Metade dos indivíduos afectados pela fobia social não demonstrou activação cerebral pronunciada perante os rostos com expressão de medo ou neutralidade, em comparação a reacção manifestada à visão de rostos felizes. Entretanto a actividade cerebral -- na amígdala e em várias outras áreas -- aumentou frente às expressões faciais mais hostis, segundo o artigo publicado no início deste ano na Archives of General Psychiatry.
 

As conclusões podem significar que a fobia social envolve uma diferença no processamento de informações emocionais na amígdala e áreas próximas, refere o estudo.
 

No entanto, o estudo não sugere que pessoas afectadas pelo distúrbio tenham uma amígdala completamente «anormal». Os especialistas lembraram que outras funções relacionadas à amígdala -- como capacidade para classificar correctamente uma expressão de felicidade, raiva ou tristeza -- estavam intactas nos voluntários analisados.
 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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