Vitamina E poderá ajudar a prevenir o cancro

Estudo publicado na revista “Science Signalling”

20 março 2013
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Uma equipa de investigadores da Ohio State University, EUA, demonstrou que uma forma de vitamina E consegue inibir a ativação de uma enzima que é essencial para a sobrevivência das células cancerígenas no cancro da próstata. A perda dessa enzima, denominada Akt, conduziu à morte das células tumorais, não tendo a vitamina E produzido qualquer efeito negativo sobre as células normais.

 

Ching-Shin Chen, autor principal do estudo, professor de química medicinal e de farmacognosia naquela universidade e investigador no Comprehensive Cancer Center pertencente à mesma instituição, afirmou que “esta foi a primeira vez que se demonstrou os benefícios únicos de um mecanismo singular da vitamina E em termos de tratamento e prevenção do cancro”.

 

Este estudo vem na sequência da existência de uma propriedade presumida da vitamina E que previne e combate o cancro, mas que tem sido de difícil deteção. Já muitos estudos conduzidos sobre animais tinham apontado para a prevenção do cancro pela vitamina E. Contudo, nenhum estudo de continuidade em seres humanos tinha estabelecido uma relação idêntica.

 

O tipo de vitamina E que foi administrada não foi a convencional, que se encontra normalmente nos suplementos vitamínicos. Segundo os investigadores, a toma de suplementos de vitamina E não oferece os mesmos benefícios, uma vez que os mais económicos são normalmente de origem sintética e a forma de vitamina E presente nos mesmos não se revelou tão eficaz no combate do cancro. Adicionalmente, o organismo não é capaz de absorver as quantidades abundantes da mesma para se obter um efeito anticancerígeno.

 

A vitamina E ocorre em numerosas formas baseadas na sua estrutura química. A mais conhecida destas formas pertence a uma variedade denominada tocoferol. A gama tocoferol revelou ser a forma desta vitamina com um efeito anticancerígeno mais potente. Isto deve-se ao facto de a sua fórmula química a permitir unir-se à enzima Akt da forma mais eficaz para desativar essa molécula.

 

Os investigadores procederam, então, à manipulação da estrutura daquela molécula da vitamina E e conseguiram obter uma molécula com uma eficácia cerca de 20 vezes superior à da própria vitamina, nas células. Esta manipulação revelou-se eficaz na redução de tumores cancerígenos na próstata em ensaios com ratinhos.

 

O funcionamento eficaz desta forma da vitamina E na desativação da Akt consistiu em atrair a enzima e outra proteína, a PHLPP1 para a mesma região celular onde a vitamina é absorvida: a membrana da célula que é rica em gordura. A PHLPP1, que é um supressor tumoral, desencadeou uma reação química que inativou a Akt, tornando impossível a sobrevivência das células cancerígenas.

 

Esta descoberta vem sugerir que a existência de um agente baseado na estrutura química de uma forma de vitamina E poderia ajudar a prevenir e mesmo tratar diversos tipos de cancro, especialmente os que estão associados a uma mutação no gene PTEN, que está relacionada com doenças cancerígenas e que mantém a enzima Akt ativa.

 

O objetivo da equipa consiste agora em desenvolver um comprimido com a dose correta que possa ser tomado diariamente para prevenir o cancro. Ching-Shin Chen explica que “esta é uma nova descoberta. Temos vindo a tomar vitamina E há anos e na realidade ninguém sabia deste mecanismo anticancerígeno em particular”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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