Vitamina C impede crescimento de cancro colorretal?

Estudo publicado na revista “Science”

10 novembro 2015
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Investigadores americanos descobriram que a vitamina C, em doses elevadas, é capaz de matar certos tipos de cancro colorretal, revela um estudo publicado na revista “Science”.
 
No estudo os investigadores da Universidade de Cornell, do Laboratório Cold Spring Harbor, do Centro Médico Tufts, da Escola de Mediciana de Harvard, entre outros, descobriram que doses elevadas de vitamina C, o equivalente aos níveis encontrados em 300 laranjas, afetavam o crescimento dos tumores colorretais com mutações nos genes KRAS e BRAF, as quais tornam a doença mais agressiva.
 
“Os nossos resultados fornecem um mecanismo racional para explorar a utilização terapêutica da vitamina C no tratamento do cancro colorretal com mutações no gene KRAS ou BRAF” revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Lewis Cantley.
 
Acredita-se que a vitamina C é benéfica para a saúde devido, em parte, à sua ação antioxidante, prevenindo ou atrasando alguns tipos de danos celulares. Contudo, os investigadores descobriram que o oposto também é verdade, ou seja, os efeitos terapêuticos que doses elevadas da vitamina C têm no cancro colorretal com mutações no gene KRAS ou BRAF, resultam da indução da oxidação nestas células cancerígenas.
 
Num ambiente rico em oxigénio como as artérias, uma fração da vitamina C denominada por ácido ascórbico, fica oxidada e é transformada num novo composto conhecido por ácido dehidroascórbico. Já há algum tempo que se sabia que uma proteína membranar específica, a GLUT1, permite que a glucose e o ácido dehidroascórbico entrem nas células. Contudo, o ácido arcórbico não é capaz de entrar.
 
Agora neste estudo os investigadores constataram que os antioxidantes naturais dentro das células cancerígenas tentam converter o ácido dehidroascórbico em ácido ascórbico. Ao longo deste processo estes antioxidantes são eliminados e a célula morre de stress oxidativo. 
 
"Apesar de muitas células saudáveis também expressarem a GLUT1, as células cancerígenas com mutações nos genes KRAS e BRAF têm tipicamente níveis muito mais elevados uma vez que necessitam de uma taxa mais elevada de captação de glicose, de forma a sobreviverem e crescerem. Adicionalmente, as células com mutações nos genes KRAS e BRAF produzem mais espécies reativas de oxigénio que as células saudáveis e, portanto, necessitam de mais antioxidantes, de forma a sobreviverem. Esta combinação de caraterísticas faz destas células cancerígenas mais vulneráveis ao ácido dehidroascórbico, comparativamente com as células saudáveis ou outros tipos de células cancerígenas”, revelou, em, comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Lewis Cantley.
 
Apesar de estes resultados necessitarem de ser comprovados em ensaios clínicos humanos, estes achados sugerem uma nova e prometedora estratégia de tratamento para o cancro colorretal com mutações no gene KRAS ou BRAF.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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