Vitamina B12 pode ajudar no tratamento da hepatite C

Estudo publicado na revista “Gut”

23 julho 2012
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A toma de suplementos de vitamina B12 por parte dos indivíduos que estão a ser submetidos à terapia habitual para o tratamento da hepatite C poderá ajudar a aumentar a capacidade do sistema imunitário no combate do vírus, sugere um estudo publicado na revista “Gut”.
 

Cerca de 60 a 80% dos indivíduos com hepatite C desenvolve hepatite crónica, e mais de um terço desenvolve cirrose, uma doença terminal do fígado. O tratamento habitual, interferon e ribavirina, é capaz de eliminar completamente o vírus em 50% dos pacientes infetados com o genótipo 1 do vírus da hepatite C (VHC) e em 80% dos indivíduos infetados com o genótipo 2 ou 3. Contudo, este tipo de abordagem é incapaz de eliminar completamente o VHC em 50% dos casos ou a infeção reaparece após o tratamento ter terminado.
 

Apesar de os ensaios clínicos de fármacos antirretrovirais de nova geração serem promissores, estes são dispendiosos e podem dificultar o tratamento. Estudos anteriores já tinham sugerido que a vitamina B12 poderia ter um papel importante na supressão do VHC. Os autores do estudo explicam que o fígado é o órgão responsável pelo armazenamento desta vitamina, mas esta capacidade fica afetada pelas doenças que diretamente atingem este órgão.
 

Assim, neste estudo, os investigadores da Università degli Studi di Napoli Federico II, em Itália, decidiram averiguar se a adição da vitamina B12 ao tratamento habitual poderia aumentar a sua eficácia, tendo para tal contado com a participação de 94 indivíduos infetados com VHC. Os pacientes foram aleatoriamente submetidos ao tratamento habitual ou suplementado com vitamina B12 de quatro em quatro semanas, durante 24 semanas (genótipo 2 e 3) e 48 semanas (genótipo 1).
 

Os investigadores avaliaram a capacidade de o sistema imunitário eliminar o vírus após quatro semanas de tratamento (respostas viral rápida), 12 semanas (resposta viral precoce), no final do tratamento e 24 semanas após o seu término (resposta viral sustentada).
 

O estudo apurou que não houve diferença entre os dois tratamentos ao fim das quatro semanas. Contudo, foi verificado que nos restantes períodos analisados ocorrerem respostas significativamente diferentes, particularmente 24 semanas após o tratamento ter terminado. Os efeitos também foram distintos nos pacientes infetados com o genótipo 1, de difícil tratamento, e com cargas virais elevadas.
 

Os investigadores, liderados por Gerardo Nardone, constataram que a adição da vitamina B12 ao tratamento habitual fortalece a taxa de resposta viral em cerca de 34%. Assim, para os autores do estudo até o tratamento com os fármacos de nova geração estarem perfeitamente estabelecidos, a adição de vitamina B12 é uma alternativa segura e barata, particularmente para os indivíduos infetados com a estirpe de vírus mais difícil de tratar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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