Visão por computador desafia cientistas portugueses nos EUA

Ciência/inteligência artificial

31 agosto 2011
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Dois cientistas portugueses nos EUA, José Jerónimo Rodrigues e Ricardo Cabral, estudam a visão por computador, com o objectivo de fazer os computadores “verem como humanos”, reconhecendo as relações entre os objectos que têm perante si e o seu uso.

 

Os cientistas seguiram para doutoramento na Universidade norte-americana de Carnegie Mellon depois de concluírem Engenharia Eléctrica e Computacional no Instituto Superior Técnico, respectivamente em 2008 e 2009, e estão agora a concluir estágios na Industrial Light & Magic em Qualcomm.

 

“A visão por computador deveria providenciar o que o humano percepciona quando está a ver”, afirma José Rodrigues. Trata-se, explica, de a máquina entender “o conteúdo de uma imagem, a relação entre os objectos, o modo de os usar e inferir modelos tridimensionais embora estejamos a ver só a duas dimensões”, indo além do reconhecimento de imagem, por exemplo, que em determinada fotografia estão “dois sofás, uma mesa e uma televisão”.

 

As dificuldades, explica Ricardo Cabral, estão na “descrição de um problema de alto nível a um computador, cuja linguagem consiste em 'receitas', ou uma série de passos determinísticos" e também “o facto de nem sequer se saber muito bem como o ser humano processa o conhecimento ou extrai informação de alto nível do sistema visual”.

 

Os domínios de aplicação desta área vão desde sistemas de diagnóstico médico como a ecografia 3D, vídeo vigilância e segurança, carros autónomos, aplicações industriais e indústria cinematográfica ou tecnologias de assistência a idosos e deficientes, além do entretenimento, de que a consola XBox Kinect é um exemplo.

 

“A ideia de fazer um computador pensar e ver – o Santo Graal da área da inteligência artificial e da visão por computador – continua a fascinar-me todos os dias, pela parte tecnológica e pelas suas profundas implicações em áreas como a neurociência, filosofia e ética”, diz Ricardo Cabral.

 

Com o doutoramento a meio, ao abrigo do programa Carnegie Mellon University Portugal, os dois jovens cientistas pensam continuar a sua experiência em empresas norte-americanas.

 

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