Visão poderá ser recuperada através do transplante de fotorrecetores

Estudo publicado na “Nature"

24 abril 2012
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Investigadores britânicos recuperaram a visão de ratinhos através do transplante de fotorrecetores sensíveis à luz, dá conta um estudo pulicado na revista “Nature”.

 

Os resultados deste estudo sugerem que o transplante de fotorrecetores, células nervosas sensíveis à luz que se encontram na região posterior do olho, pode ser a base de novos tratamentos para a recuperação da visão em indivíduos que sofram de doenças oculares degenerativas. A perda destas células nervosas é a causa de cegueira de várias doenças oftalmológicas, nomeadamente degeneração macular associada à idade, retinite pigmentosa e a cegueira associada à diabetes.

 

Existem dois tipos de fotorrecetores: os de cone e os de bastonete, sendo estes últimos especialmente importantes para ver na escuridão, pois são extremamente sensíveis, mesmo perante baixos níveis de luminosidade.

 

Neste estudo os investigadores da University College of London, no Reino Unido, injetaram células de ratinhos jovens nas retinas de ratinhos adultos que tinham bastonetes disfuncionais. Após quatro a seis semanas, os bastonetes transplantados estavam a funcionar corretamente e tinham estabelecido as ligações necessárias para transmitir informações visuais ao cérebro.

 

De forma a testar a visão dos ratinhos, os investigadores colocaram os animais dentro de um labirinto com pouca luz. Foi verificado que os ratinhos que tinham recebido o transplante de bastonetes conseguiram utilizar uma pista visual para encontrar rapidamente uma plataforma escondida no labirinto, enquanto os ratinhos não tratados só a encontraram por acaso, após terem explorado extensivamente o labirinto.

 

“Demonstrámos, pela primeira vez, que as células fotorrecetoras transplantadas conseguem integrar-se, com sucesso, na retina e melhorar a visão. Esperamos, num futuro próximo, replicar este sucesso com fotorrecetores derivados de células estaminais embrionárias, para desenvolver testes em humanos”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Robin Ali.

 

“Apesar de ainda faltarem alguns passos até este tipo de tratamento estar disponível para os humanos, este poderá devolver a visão a milhares de pessoas que a perderam como resultado de doenças neurodegenerativas oculares. Estes resultados também poderão ajudar na criação de técnicas para reparação do sistema nervoso central, pois ficou demonstrado que o cérebro tem uma capacidade incrível em se adaptar aos neurónios transplantados”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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