Vírus da sida: mais um passo para uma possível vacina

Estudo liderado por investigador português

21 dezembro 2015
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Investigadores liderados, pelo português Fernando Garcês Ferreira, conseguiram dar mais um passo para uma possível vacina contra o vírus da sida, ao determinar como anticorpos muito potentes evoluem em contacto com o VIH.
 
Investigadores do Instituto de Investigação de Scripps, nos EUA, já tinham descoberto, em 2014, que uma família de anticorpos muito potentes que se desenvolveu numa pessoa infetada com o VIH – a PGT121 – neutralizava não apenas o vírus que infetava essa pessoa, mas também 80% de todas as variantes do vírus que existem nos humanos no mundo.
 
"Uma família de anticorpos que poderia se adaptar rapidamente às constantes modificações do vírus, o que nos dá esperança de que o sistema imunitário humano é capaz de controlar a infeção", referiu à agência Lusa o investigador Fernando Garcês Ferreira.
 
Posteriormente a equipa de investigadores decidiu tentar compreender como esses anticorpos, produzidos por um tipo específico de células do sistema imunitário, as células B, evoluíam no organismo em contacto com o vírus, que "está em constante mutação para escapar à ação do sistema imunitário".
 
“A evolução dos anticorpos PGT121, que é provável ter demorado 2-3 anos [numa pessoa infetada com o VIH], está intimamente ligada à própria evolução do vírus, neste caso para escapar à ação dos anticorpos PGT121”, disse o investigador.
 
Através de técnicas da biologia estrutural, a equipa obteve imagens moleculares tridimensionais, de resolução atómica, da evolução dos anticorpos em contacto com o VIH, para "chegarem a uma forma eficiente" de neutralizar o vírus.
 
De acordo com Fernando Garcês Ferreira, é possível, "desenvolver uma vacina que dirija os anticorpos PGT121 a evoluírem desta maneira".
 
"Vamos entender de tal maneira como o sistema imunitário funciona que vamos ser capazes de desenvolver vacinas seja para o que for”, acrescentou.
 
Um protótipo da vacina, que já está a ser testado em ratinhos, foi desenhado pelo mesmo grupo de cientistas, com o auxílio de tecnologias de biologia molecular. 
 
Com este método, 'desenharam' a expressão de proteínas da superfície do vírus, que, explicou Fernando Garcês Ferreira, são as únicas reconhecidas pelo sistema imunitário humano como invasoras, e, por isso, são o alvo de ação dos anticorpos PGT121.
De acordo com o investigador, são essas proteínas do vírus, “proteínas do envelope do VIH”, que vão ser a vacina.
 
As proteínas virais terão de ter "ligeiras modificações" para "estimularem o sistema imunitário a produzir os anticorpos" no ponto desejável para “matar” o VIH, conclui.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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