Vírus da placenta pode retardar gravemente o desenvolvimento do recém-nascido

Chama-se Coxsackievirus e no adulto só provoca sintomas muito «leves»

31 dezembro 2001
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Um vírus comum, que geralmente provoca infecções de pouca gravidade, apenas alguns sintomas gripais, em adultos, pode provocar problemas respiratórios graves e outros distúrbios igualmente graves em bebés que são infectados no útero.
 

 

Estas revelações sucedem de um estudo com sete recém-nascidos que apresentavam problemas respiratórios graves à nascença e que, depois, apresentaram distúrbios neurológicos graves que originaram atrasos desenvolvimento normal dos bebés. Em seis dos sete casos, os investigadores encontraram sinais de infecção por Coxsackievirus.
 

 

A denominação atribuída a este vírus deve-se ao nome da cidade do estado de Nova Iorque onde foi identificado pela primeira vez em 1948. A infecção em adultos conduz a sintomas muito brandos, embora este vírus possa ser a causa de problemas mais graves como meningite e infecções cardíacas em recém-nascidos.
 

 

O estudo de onde resultaram estas conclusões foi realizado no Centro Médico da Universidade do Estado de Ohio, Columbus (EUA), e foi coordenado por Gerard J. Nuovo. Nuovo e seus colaboradores analisaram o tecido das placentas dos sete recém-nascidos, assim como as placentas de outros dez recém-nascidos saudáveis (grupo de controlo) e de mais cinco bebés infectados com outros vírus comuns no útero, incluindo citomegalovírus, parvovírus e herpes.
 

 

O tecido placentário de seis dos sete bebés com insuficiência respiratória apresentavam material genético de Coxsackievirus. A análise da placenta do sétimo bebé teve resultado negativo para todos os vírus testados. No entanto, nenhuma amostra dos tecidos das placentas dos dez bebés do grupo de controlo, ou dos outros cinco bebés com infecções placentárias conhecidas, apresentou qualquer evidência de infecção pelo Coxsackievirus. Estes são os resultados que este grupo de cientistas divulgam na edição de Dezembro da revista científica Obstetrics and Gynecology.
 

 

A gravidade da infecção por Coxsackievirus verificou-se no facto de todos os seis recém-nascidos infectados apresentarem, logo após o nascimento, anomalias cerebrais graves debilitantes de um normal desenvolvimento físico. Desta situação resultou que todos os bebés precisaram de terapia física de estimulação física, terapia ocupacional e, em alguns casos, foi necessário o internamente institucional. Estas crianças também receberam ocasionalmente tratamento específico para evitar convulsões.
 

 

Em declarações à agência Reuters, Nuovo afirmou que «este estudo oferece evidências directas de que a infecção placentária por Coxsackievirus é uma realidade: ocorre.» Este investigador conclui que este estudo também dá evidências indirectas de que «a infecção fetal por este vírus, quando adquirida in utero, provoca graves atrasos globais no desenvolvimento apresentados pelas crianças afectadas", concluiu a equipe de Nuovo.
 

 

Para Nuovo e seus colaboradores, estes resultados enfatizam a importância da realização de exames à placenta com a finalidade de investigar a existência de infecções virais em recém-nascidos que apresentam doenças graves.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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