Vírus da hepatite C: identificadas novas vias da resistência antiviral

Estudo publicado na revista “Nature Chemical Biology”

17 outubro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores descobriu um mecanismo através do qual o vírus da hepatite C (VHC) reprograma o metabolismo humano e identificou novas vias da resistência antiviral, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Chemical Biology”.
 
Os vírus não têm a maquinaria metabólica básica necessária para se replicarem. De forma a ultrapassar este problema, estes microrganismos sequestram a maquinaria metabólica dos hospedeiros para completar o ciclo de vida e se propagarem. No entanto, a comunidade científica ainda não conseguiu obter uma compreensão detalhada sobre a interação metabólica entre os vírus e os organismos que infecta. 
 
Neste estudo, liderado pelos investigadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, foram identificados vários interruptores genéticos que controlam a resposta metabólica à infeção pelo vírus da hepatite C.
 
O metabolismo é um fenómeno complexo que é regulado principalmente por interruptores genéticos chamados recetores nucleares. Estes recetores são uma família de proteínas que se encontram no interior das células e são ativados por metabolitos, tais como ácidos gordos ou glucose. Estes recetores nucleares atuam como sensores que permitem que as células detetem e respondam a alterações na nutrição ao regularem a expressão de centenas de genes.
 
Os vírus são capazes de interferir com esta regulação do metabolismo, podendo conduzir à doença do fígado gordo e diabetes nos pacientes infetados.
 
De forma a identificar o mecanismo utilizado pelos vírus, como o VHC, para interferir com a regulação metabólica, os investigadores utilizaram um novo modelo laboratorial de células hepáticas humanas. Ao mapearem o metabolismo das células do fígado infetadas e normais, os investigadores conseguiram analisar os processos metabólicos alterados e identificar os recetores nucleares responsáveis pela sua desregulação. 
 
Posteriormente, os investigadores bloquearam cada interruptor genético com fármacos e analisaram o efeito desta inibição no vírus. Apesar de o bloqueio do metabolismo da glucose ser prejudicial para o vírus, o bloqueio do metabolismo dos lípidos aumentou a replicação do VHC.
 
Yaakov Nahmias, o líder do estudo, refere que estes resultados indicam pela primeira vez que as nossas células são capazes de bloquear a replicação dos vírus Flaviviridae, como o VHC e Zika, ao impedir o acesso a componentes essenciais para a sua sobrevivência. Estes resultados sugerem uma nova abordagem para tratar as infeções por vírus ao ter por alvo a regulação genética de processos metabólicos dos quais os vírus dependem.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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