Vírus da hepatite C alberga um prometedor antiviral

Estudo publicado no “Biophysical Journal”

08 janeiro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores descobriu que, um peptídeo derivado do vírus da hepatite C (VHC) mata uma ampla gama de vírus, deixando as células do hospedeiro ilesas ao descriminar a composição molecular das suas membranas, dá conta um estudo publicado no “Biophysical Journal”.
 
Os investigadores da Universidade de Califórnia, nos EUA, e da Universidade Tecnológica de Nanyang, Singapura, constataram que o peptídeo, denominado por AH, pode ter um efeito antiviral potente contra os vírus que têm membranas ricas em colesterol, como o vírus do Nilo ocidental, o vírus da dengue, do sarampo e o VIH.
 
“Apesar de existirem muitos fármacos antivirais no mercado, um problema comum é que o vírus aprende a evitá-los, tornando-se resistente ao tratamento. Há uma crescente noção que são necessárias novas classe de fármacos antivirais que tenham por alvo múltiplos vírus”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Atul Parikh.
 
Estudos anteriores já tinham indicado que o peptídeo AH tinha amplas propriedades antivirais. A mesma propriedade que permite o peptídeo sequestrar as estruturas celulares do hospedeiro para a replicação do VHC, também provoca rutura nas membranas dos vírus, expondo o genoma viral às enzimas do hospedeiro que destroem os agentes patogénicos. O desenvolvimento de terapias inspiradas nas ações do peptídeo têm sido limitadas pela falta de conhecimento sobre o motivo pelo qual este ataca seletivamente o envelope viral e não as membranas celulares do hospedeiro.
 
Foi neste contexto, que os investigadores decidiram testar o peptídeo AH num modelo de membranas lipídicas simplificado o qual era variável em tamanho e na composição química. Após a exposição ao peptídeo, modelos similares ao vírus, com membranas ricas em colesterol, apresentaram alterações moleculares e aumento na permeabilidade. Contudo, os investigadores verificaram que em concentrações similares o peptídeo não afetou as vesículas que não tinham colesterol.
 
Os autores do estudo acreditam que o peptídeo AH apresenta, provavelmente, uma atividade antiviral de largo espetro uma vez que tem por alvo as membranas ricas em colesterol que são partilhadas por vários vírus. O estudo apurou ainda que o peptídeo é também capaz de descriminar entre os envelopes virais e as membranas das células do hospedeiro através das diferenças de tamanho.
 
“Estes resultados são importantes não só para promover uma estratégia que tenha como alvo a membrana para o desenvolvimento de antivirais contra o VHC utilizando peptídeos virais, mas também para a identificação de outros vírus, cuja composição da membrana inclui concentrações comparáveis de colesterol, que podem ser inibidas através do VHC antiviral”, revelou, um outro autor do estudo, Nam-Joon Cho.
 
O investigador referiu que, “apesar de estes modelos simplificados de membranas serem excelentes para dissecar a forma como os fármacos têm por alvo os componentes lipídicos das membranas virais ou celulares, temos de nos lembrar que são apenas modelos”.
 
Desta forma será importante estender estes achados para sistemas biológicos, nomeadamente células humanas e vírus vivos, para validar os conhecimentos biofísicos antes que ocorra a tradução pré-clínica.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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