Vírus da gripe das aves H7N9: em risco de pandemia?

Estudo publicado na “Nature”

15 julho 2013
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O vírus da gripe das aves H7N9, responsável por pelo menos 37 mortes na China, tem características capazes de despoletar uma potencial pandemia a nível mundial, de acordo com um novo estudo publicado na “Nature”.
 

Habitualmente, o vírus da gripe das aves não infecta os humanos, com a exceção da estirpe H5N1 que é altamente patogénica. Contudo, o H7N9 já infetou até à data 132 humanos, matando mais de 20% dos infetados suspeitando-se que a infeção possa ocorrer entre humanos.
 

Este novo estudo, liderado por Yoshihiro Kawaoka da Universidade de Wisconsin-Madison e da Universidade de Tóquio, sugere que a capacidade do H7N9 infetar e replicar-se nas células humanas pode ser devida à ocorrência de pequenas alterações nos aminoácidos da sequência genética do vírus. “Estas duas características são necessárias, apesar de não serem suficientes para causar pandemia”, explicou o investigador, acrescentado que o vírus depende das células do hospedeiro.
 

Em macacos, o H7N9 mostrou-se capaz de infetar eficazmente as células do trato respiratório superior e inferior. O vírus da gripe humana está tipicamente restrito ao trato respiratório superior dos primatas não humanos infetados.
 

O investigador refere que se o H7N9 adquirir a capacidade para se transmitir eficazmente de pessoa para pessoa, uma pandemia mundial é quase certa uma vez que os humanos não têm uma resposta imunitária protetora contra este tipo de vírus.
 

Os estudos de transmissão realizados em furões, animais que tal como os humanos infetam-se entre si através das partículas expelidas através da tosse ou espirros, mostraram que uma das estirpes do H7N9 isolada dos humanos pode transmitir-se através de gotículas, mas não tão eficazmente quanto os vírus influenza humanos.
 

“O H7N9 apresenta várias características dos vírus influenza pandémicos, ou seja, a sua capacidade de se associar e replicar-se em células humanas bem como de se transmitir através de gotículas”, disse Yoshihiro Kawaoka.
 

Para complicar ainda mais este cenário, o H7N9 não mata as aves de capoeira, o que dificulta ainda mais o seu controlo. “Não se pode simplesmente vigiar as aves doentes ou mortas. É necessário a realização de testes para determinar se a ave está ou não infetada. Tendo em conta o número de aves de capoeira esta é uma tarefa de grandes dimensões.
 

Contudo, nem tudo são más notícias. O estudo refere que a maioria das estirpes de H7N9 testadas é de alguma forma sensível aos fármacos antivirais eficazes contra o vírus da gripe sazonal. Em todo o caso, o investigador refere que são necessários mais estudos para ajudar no desenvolvimento de uma vacina, avaliação de riscos e ter um melhor conhecimento por que motivo o H7N9 infeta os humanos com tanta eficácia.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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