Vírus da gripe das aves: a luta entre a ciência e saúde pública

Estudo publicado na “Annals of Internal Medicine”

31 janeiro 2012
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Cientistas criaram uma nova estirpe do vírus H5N1, vulgarmente conhecido por gripe das aves, que se pode transmitir facilmente entre os humanos. Dois relatórios publicados recentemente na “Annals of Internal Medicine” levantam questões sobre como e se essa investigação deve ser continuada, e de que forma os dados devem ser publicados tendo em conta a saúde pública.

 

O vírus H5N1 que se encontra atualmente em circulação apresenta uma elevada taxa de letalidade, e já matou cerca de 60% dos mais de 500 casos humanos confirmados. No entanto, ao contrário da gripe sazonal, até à data o vírus H5N1 não se transmite facilmente entre os seres humanos. Recentemente, duas equipas de investigadores modificaram-no geneticamente para o tornar mais facilmente transmissível entre furões. O que significa que o vírus pode tornar-se facilmente transmissível entre os seres humanos. Como resultado, tem surgido alguma controvérsia em torno da segurança e da pertinência desta investigação.

 

O National Science Advisory Board for Biosecurity, nos EUA, permitiu a publicação desta investigação sobre o novo vírus H5N1, mas ressalvando que esta não deveria revelar a metodologia das experiências de uma forma detalhada, de modo a reduzir o risco de replicação e utilização indevida. Esta recomendação tem dividido bastante a comunidade científica.

 

Segundo a perspetiva do diretor do Center for Biosecurity of University of Pittsburgh Medical Center, Thomas V. Inglesby, as potenciais consequências de uma estirpe de H5N1 ser transmissível entre humanos são impressionantes. Se a nova estirpe escapar do ambiente do laboratório e se disseminar, como a gripe sazonal, poderia por em perigo a vida de centenas de milhões de pessoas.

 

Apesar de a investigação ter sido realizada com o objetivo de aumentar o conhecimento científico não há nenhuma evidência científica que uma estirpe como a que foi desenvolvida no laboratório possa ocorrer naturalmente. Assim, na opinião de Thomas V. Inglesby os danos da pesquisa superam os seus benefícios ,e caso a investigação prossiga aconselha que a utilização seja muito restrita, tal como a abordagem que foi utilizada com o vírus da varicela.

 

Por outro lado, Andrew T. Pavia, da Division of Pediatric Infectious Diseases at the University of Utah Health Sciences Center, argumenta que este novo vírus poderá não ser assim tão transmissível entre humanos como alguns especulam. No que respeita à utilização do vírus como arma biológica, o especialista acha que este é um cenário muito improvável, pois o terrorista teria que ter conhecimento científico suficiente bem como saber ao certo quais os métodos utilizados no estudo. Com as devidas salvaguardas, este e outros estudos devem prosseguir aumentando assim o conhecimento científico sobre o vírus influenza.

 

Os próprios investigadores decidiram fazer um interregno de 60 dias nas suas investigações enquanto o debate continua.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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