Vírus da gripe: como controla o tempo de infeção?

Estudo publicado na “Cell Reports”

22 janeiro 2013
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O vírus da gripe sabe quanto tempo tem para se multiplicar, infetar outras células e se disseminar para outro ser humano. Se abandona a célula demasiado cedo, o vírus fica débil, mas se sai demasiado tarde o sistema imune tem tempo para o eliminar, dá conta um estudo publicado na “Cell Reports”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores Icahn School of Medicine, nos EUA, refere que o vírus necessita de se apoderar dos recursos das células humanas para se multiplicar. Durante este processo o vírus deixa escapar alguns alarmes que faz com que o sistema imune o detete e elimine.
 

Na opinião do líder do estudo, Benjamin tenOever, o vírus tem de ter um mecanismo que o informe do tempo que tem antes de o sistema imune o detetar. Assim, neste estudo os investigadores propuseram-se a entender de que forma o vírus sabe exatamente quando tempo necessita para se multiplicar e se disseminar.
 

“Sabíamos que o vírus necessitava de cerca de oito horas para criar cópias suficientes de si próprio para continuar a se disseminar antes de o alarme antiviral ser ativado. A um nível mais amplo, o vírus necessita de dois dias para infetar o número de células suficiente de forma a conseguir se propagar para outro ser humano. Centramo-nos no relógio interno do vírus de forma a tentar desmantelá-lo e impedir a sua disseminação”, referiu, o investigador.
 

Após terem analisado os processos que controlam o tempo de infeção, os investigadores constataram que o vírus acumula lentamente uma proteína, que necessita de sair da célula e subsequentemente se disseminar para outras células, antes de o sistema imune ficar ativado. Tendo em conta esta informação, os investigadores foram capazes de manipular este tempo e fazer com que o vírus adquirisse estra proteína demasiado rápido. Como resultado o vírus saiu demasiado cedo e não teve tempo se multiplicar. Por outro lado, os autores do estudo também foram capazes de retardar a aquisição da proteína, dando assim ao sistema imune tempo para iniciar uma resposta antes do vírus conseguir escapar.
 

Benjamin tenOever espera que esta descoberta conduza ao aparecimento de novos fármacos antivirais que tenham por alvo este relógio interno do vírus e que forneça uma base para o desenvolvimento de vacinas contra a gripe.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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