Vioxx e Coxxil retirados do mercado
01 outubro 2004
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A empresa Merck Sharp and Dohme anunciou esta semana a retirada do mercado mundial dos anti-inflamatórios Vioxx e Coxxil, designações usadas em Portugal. O primeiro é vendido em alguns países sob a apresentação de Ceoxx. Todos contêm a substância activa rofecoxib. Na origem da decisão estiveram os resultados de um ensaio clínico de longa duração a mais de 2500 doentes, que revelaram um aumento do risco de acidentes cardiovasculares confirmados - ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais.O Vioxx era o segundo produto mais vendido da Merck - 2,5 biliões de dólares em todo o mundo, sendo que, em Portugal, as vendas representavam seis por cento das prescrições médicas de anti-inflamatórios (50 mil), num montante de 18 milhões de euros. Isabel Ventura, directora do departamento médico da Merck, refere que «a retirada do Vioxx do mercado demonstra o apreço da empresa pelas responsabilidades médicas e científicas».A empresa farmacêutica já avisou armazenistas, farmácias e o Infarmed - Instituto da Farmácia e do Medicamento. A Merck aconselha a marcação de uma consulta médica a quem costumava tomar o fármaco, para discussão com um especialista da interrupção da toma do mesmo e os possíveis tratamentos alternativos à sua doença. Este medicamento foi lançado nos Estados Unidos em 1999, e em Portugal começou a ser comercializado um ano depois. O Vioxx estava a ser avaliado na prevenção do cancro do cólon, daí a sua administração prolongada - deveria estender-se aos três anos. O fármaco, quando tomado na patologia para que é indicado - osteoporose, artrite e dor aguda - não o é por mais de dois meses. Neste contexto, não tem apresentado contra-indicações de maior.No entanto, e uma vez que através do estudo foram detectados problemas cardiovasculares, ainda que em tomas prolongadas, o laboratório decidiu retirar definitivamente o fármaco do mercado. O Infarmed está de acordo com a retirada do Vioxx das prateleiras das farmácias, anunciando inclusive que no início deste ano já tinha recomendado «precaução na administração deste fármaco em doentes que apresentavam problemas cardiovasculares e gastrointestinais». A retirada do mercado do Vioxx é considerada como um desastre para o grupo farmacêutico, uma vez que vai agravar em 20 por cento os benefícios esperados pela Merck e em mais de 10 por cento as vendas totais. O rombo na economia da empresa não significa o fecho das portas, mas haverá despedimentos.Fonte: Diário de Notícias

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