Vioxx deveria ter saído do mercado há quatro anos

Laboratório contesta artigo da «The Lancet»

10 novembro 2004
  |  Partilhar:

O anti-inflamatório Vioxx deveria ter sido retirado do mercado há quatro anos, já que existiam provas suficientes de que aumentava o risco de enfarte do miocárdio, afirma a revista médica «The Lancet». O Laboratório responsável contesta. O grupo farmacêutico americano Merck, que teve vendas de 2,5 biliões de dólares com o Vioxx em 2003, decidiu retirá-lo do mercado mundial em Setembro passado devido a um estudo que mostra um aumento dos riscos de acidentes cardio-vasculares e de crise cardíaca em doentes depois de 18 meses de tratamento.Mas, de acordo com o estudo publicado pela prestigiada revista médica britânica, «os dados mostram um aumento dos riscos de enfarte do miocárdio depois de alguns meses de tratamento, e esse risco é independente da dose».«Não é certo que a Merck sobreviva a este crescente escândalo», afirma Richard Horton, chefe de redacção da Lancet. Horton afirma que a Merck e a agência americana responsável pelos medicamentos nos EUA, a FDA, agiram de forma irresponsável.O anti-inflamatório Vioxx é prescrito para tratar problemas como a artrose. No início de Novembro, a FDA considerou que, aparentemente, o fármaco provocou nos Estados Unidos 27.785 enfartes do miocárdio e mortes por crise cardíaca entre 1999 e 2003. Em resposta, a gigante farmacêutica norte-americana Merck contestou a conclusão da revista médica britânica «The Lancet» de que o anti-inflamatório Vioxx deveria ter sido retirado do mercado há quatro anos atrás.A Merck disse ter publicado uma avaliação científica no seu site que esclarece a comunidade científica porque razões discorda das conclusões publicadas na revista.Segundo o artigo, há quatro anos já havia provas científicas suficientes que relacionassem a droga a um aumento do risco de acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos.No entanto, o laboratório alega que «esteve vigilante na monitorização e anunciou a segurança cardiovascular» do Vioxx, acrescentando que a companhia «discorda totalmente de qualquer afirmação em contrário».Segundo a nota, a avaliação científica apresenta porque razões a Merck discorda da análise da revista Lancet e acrescentou que até à realização de um estudo publicado este ano, «os dados de testes clínicos da Merck mostraram nenhuma diferença significativa no risco cardiovascular» do Vioxx.A retirada do Vioxx pela Merck foi baseada nos resultados de um estudo interno de três anos com 2.600 pacientes, a metade dos quais recebeu uma dose de 25 miligramas do Vioxx e a outra, um placebo. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.