Violência doméstica: Os agressores também precisam de ajuda
25 fevereiro 2002
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Além do apoio às vítimas de violência doméstica, urge também ajudar os autores destes crimes. Por esta razão, foram criados, em Portugal, dois gabinetes de atendimento a autores de violência doméstica, a funcionar na Unidade de Consulta em Psicologia da Justiça (UCPJ), na Universidade do Minho, e no Gabinete de Estudo e Atendimento a Vítimas (GEAV), na Universidade do Porto.
 

 

"De nada serve intervir no apoio à vítima e não junto dos agressores, porque estes acabam por arranjar outra vítima e o problema da violência não acaba", explicou Celina Manita, uma das responsáveis do GEAV, em declarações à agência Lusa. "Diminuir o número de agressores significa diminuir o número de potenciais vítimas".
 

 

Para Carla Machado, psicoterapeuta na UCPJ, nem todos os agressores são “seres maquiavélicos e perversos”, mas pessoas com problemas, que também têm de ser ajudadas para pôr fim à violência, defendeu a especialista.
 

 

Embora muito não estejam verdadeiramente motivados a procurar ajuda, esta não é a regra, já que muitos deles tomam conhecimento da existência deste gabinete e pedem acompanhamento psicológico. Outros são encaminhados para o gabinete por instituições de apoio à vítima que não os podem atender.
 

 

A funcionar há menos de um ano, "a linha dos agressores" já atendeu nove pessoas. Cinco delas eram homens, autores de violência contra as mulheres, que foram acompanhados isoladamente. Outras quatro eram mulheres que maltratavam os filhos. Segundo a especialista, estas mulheres viviam em contexto de violência doméstica e "tornaram-se maltratantes e abusadoras dos seus filhos".
 

 

A UCPJ atendeu quatro casos de delinquência juvenil, três de violência conjugal, um caso de abuso sexual, outro de maus tratos a um menor e outro, ainda, de infanticídio.
 

 

Fontes: Jornal de Notícias e Lusa
 

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