Violência atinge 314 mil pessoas com mais de 60 anos

Estudo do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge

26 fevereiro 2014
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Cerca de 314 mil pessoas com 60 ou mais anos já foram vítimas de, pelo menos, uma "conduta de violência" por parte de um familiar, amigo, vizinho ou profissional.
 

O "Estudo populacional sobre a violência" levado a cabo pelo Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA) contou com uma amostra de 1.123 indivíduos.
 

O estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso, teve como objetivo estimar na população portuguesa a prevalência de pessoas com 60 e mais anos sujeita a violência (física, psicológica, financeira, sexual e negligência), em contexto familiar, nos 12 meses anteriores à entrevista, assim como reconstituir a lógica e as condições de ocorrência de tais situações no contexto da vida familiar.
 

O número de vítimas de violência foi estimado com base num inquérito telefónico aplicado à população portuguesa com 60 e mais anos.
 

"Estimou-se que 123 em 1000 pessoas com 60 e mais foi vítima de alguma forma de violência (física, psicológica, financeira, sexual ou negligência)", referem as principais conclusões do estudo coordenado pelo Departamento de Epidemiologia do INSA.
 

Dos cinco tipos de violência avaliados (física, psicológica, financeira, sexual ou negligência), destacam-se a violência financeira e a violência psicológica: 6,3% da população com 60 e mais anos (cerca de 160 mil pessoas), em ambos os casos, dizem ter sido vítima de pelo menos uma conduta deste tipo de violência. Já 2,3% dos inquiridos foram vítimas de pelo menos uma conduta de violência física.
 

Os crimes menos frequentes foram a negligência (0,4% da população com mais de 60 anos) e a violência sexual (0,2%). O projeto identificou diferentes agressores, de acordo com os tipos de violência.
 

Relativamente à violência financeira, os principais agressores foram os descendentes, nos quais se incluem filhos, enteados e netos, seguidos dos outros familiares, como cunhados, irmãos e sobrinhos. São também outros familiares os principais agressores reportados pela vítimas de violência psicológica, seguidos dos cônjuges e de atuais e ex-companheiros.
 

Mais de metade das condutas de violência física foram da responsabilidade de cônjuges e de atuais ou ex-companheiros.
 

O estudo adianta que, do total de vítimas, somente um terço denunciou ou apresentou queixa sobre a situação de violência vivida e, quando procurou ajuda, a maioria dirigiu-se às forças de segurança (PSP ou GNR).

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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