Violação, ecstasy e psicoterapia

Equipa espanhola inicia testes em vítimas de abuso sexual

06 maio 2002
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Vários são os estudos que têm vindo a relacionar o ecstasy com o tratamento da síndroma de stress pós-traumático - distúrbio que pode atingir pessoas depois de circunstâncias como situações de guerra, violações ou acidentes graves.
 

Agora, um grupo de cientistas da Universidade Autónoma e do Hospital Psiquiátrico de Madrid desenvolveram um ensaio clínico destinado a fornecer ecstasy a 29 mulheres que sofrem de stress pós-traumático resultante de violações ou abuso sexual.
 

 

Sabe-se, há já algum tempo, que a substância metilenodioximetanfetamina (MDMA), conhecida como ecstasy, pode ajudar pessoas com este tipo de patologia, dado permitir à pessoa voltar a experimentar o trauma mas num contexto seguro e sob uma redução do medo e ansiedade.
 

 

Para a equipa espanhola, a escolha das mulheres vítimas de violação fundamenta-se em diversos trabalhos relacionados com essa população feitos no país. Estima-se que entre 15 a 25 por cento das espanholas tenham sofrido de abuso sexual, e entre 50 a 60 por cento das vítimas tenha desenvolvido stress pós-traumático.
 

 

Preparação para a Psicoterapia
 

 

Os efeitos desta droga - uma anfetamina que causa efeitos estimulantes – têm vindo a ser estudados por várias equipas de investigadores de todo o mundo. Investigações recentes relatam a potencialidade desta anfetamina para o tratamento de psicoterapia, dado que pode ajudar a «libertar o medo» e, deste modo, a trabalhar emocionalmente uma experiência difícil.
 

 

Neste estudo espanhol, o objectivo é tornar possível a vivência destas experiências traumáticas vividas pelas mulheres vítimas de violação.
 

 

Deste modo, o ecstasy é administrado na metade do período de tratamento, quando «já existe uma relação terapêutica estabelecida». As mulheres tomam a droga antes de iniciar uma sessão de psicoterapia de seis horas. E o tratamento é consolidado em várias sessões.
 

 

No entanto, a equipa sublinha que o contexto em que se fornece o ecstasy nada tem nada a ver com o uso recreativo da droga, em que se produz desgaste físico e privação de alimentos.
 

 

O estudo foi autorizado em 9 de Fevereiro de 2000 pela Agência Espanhola de Medicamento e está a ser financiado pela Associação Multidisciplinar para o Estudo de Psicadélicos, na Flórida, Estados Unidos.
 

Por enquanto, esta é a única investigação em desenvolvimento em todo o mundo. Nos EUA, acaba de ser autorizado um outro estudo com a droga para situações de stress pós-traumático.
 

 

O que é o ecstasy?
 

 

Ecstasy é uma anfetamina que causa efeitos estimulantes, bem como alucinações em humanos. A droga é popular entre adolescentes e jovens adultos que frequentam festas, discotecas de house music e shows de rock. Estudos recentes já comprovaram existir evidências de que a droga pode causar impacto na saúde mental a longo prazo. Em casos isolados, vários consumidores tem indicado danos na memória, bem como na aprendizagem causados pelo uso de poucos comprimidos desta droga.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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