VIH/sida: portugueses tomam medicamentos sem controlo médico

Situação preocupa associação Abraço

02 dezembro 2016
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Em Portugal, há pessoas a tomar medicamentos para prevenir o VIH/sida sem controlo médico, uma situação que preocupa a associação Abraço, que lamenta a falta de um plano para medicar preventivamente pessoas mais vulneráveis.
 
Gonçalo Lobo, presidente da associação Abraço, revelou que algumas pessoas em Portugal recorrem a conhecidos residentes no Reino Unido e que recebem encomendas feitas online através da Índia. Apesar de acreditar que existe um mercado negro, Gonçalo Lobo reconhece que são casos de pessoas que recorrem a esse medicamento – usado para tratar o VIH e que funciona também como uma prevenção da infeção – sem qualquer acompanhamento médico.
 
A profilaxia pré-exposição (PREP) consiste na toma de um medicamento que é um antirretroviral usado para tratar pessoas que vivem com VIH e que tem demonstrado resultados como método de prevenção. Há já países, como os Estados Unidos ou França, que estão a usar esta forma adicional de prevenção em grupos de maior risco.
 
“O que nos preocupa é pessoas estarem a recorrer sem acompanhamento médico. Porque as pessoas têm de ser previamente testadas, tem de ser analisada a sua função renal e precisam de ser monitorizados outros indicadores clínicos”, referiu à agência Lusa Gonçalo Lobo, a propósito do Dia Mundial de Luta Contra a Sida, que se assinalou ontem.
 
António Diniz, médico e antigo coordenador do Programa Nacional para a Infeção VIH/sida, refere que os estudos têm demonstrado que o recurso à PREP diminui de forma substancial o risco de adquirir a infeção. No entanto, o médico refere que a medicação profilática não significa abandonar as outras medidas preventivas, nomeadamente a utilização do preservativo.
 
O especialista admite que o facto de haver pessoas que acedem a medicação para prevenção sem acompanhamento médico lança pressão para que os países tomem uma decisão quanto à utilização da profilaxia para o VIH.
 
“Se não decidirmos em tempo útil podemos estar a cometer dois pecados. O primeiro é não estar a disponibilizar uma coisa que se sabe que é eficaz. O outro é estar, eventualmente, por omissão, a deixar que as pessoas façam aquisição via Internet, que não é permitida em Portugal, podendo estar a adquirir medicação que sai fora do controlo de qualidade. E são pessoas que não estão a ser clinicamente avaliadas”, disse António Diniz à agência Lusa.
 
Os estudos que avaliam a eficácia da PREP têm sido feitos sobretudo em populações de homens que têm sexo com outros homens, o que não significa que toda aquela população deva ser abrangida pela profilaxia pré-exposição.
 
“Há uma percentagem de pessoas dentro desse grupo que beneficiaria da sua utilização e que são as pessoas que estão em maior risco. Também outras pessoas podiam beneficiar, como trabalhadores do sexo ou casais serodiscordantes (um seropositivo e outro negativo)”, exemplifica o antigo coordenador do Programa Nacional para o VIH/sida.
 
António Diniz lembra que a PREP requer que as pessoas sejam submetidas a um conjunto de exames laboratoriais, nomeadamente para verificar se têm alterações que as excluam da utilização da medicação, lembrando que há reações adversas a ter em conta.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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