VIH/sida: cinco mil portugueses estão infetados sem saberem

Estudo apresentado em Glasgow

26 outubro 2016
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Em Portugal, cerca de cinco mil pessoas estão infetadas com o VIH/sida sem saberem, o que representa menos de 10% do total de infetados, segundo um estudo apresentado esta semana em Glasgow.
 
Esta análise foi realizada por especialistas portugueses em articulação com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) e teve por base uma nova ferramenta de modelação feita especificamente para o VIH (vírus da imunodeficiência humana).
 
O antigo diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/sida, António Diniz, considera que este trabalho permite uma radiografia mais real da situação do VIH em Portugal.
 
Os novos dados apontam para menos de 45 mil pessoas infetadas com VIH em Portugal, um número que é menos elevado do que as 65 a 70 mil pessoas que a própria ONU/sida apontava para o país.
 
António Diniz referiu à agência Lusa que a nova análise permitiu estimar que menos de 40 mil das 44.176 mil pessoas estão diagnosticadas, o que dá uma fração de não diagnosticadas de cerca de 10%.
 
Assim, Portugal parece ter já cumprido o primeiro dos três objetivos traçados pelo Programa das Nações Unidas para o VIH para 2020: ter 90% das pessoas que vivem com VIH diagnosticadas.
 
Os outros dois elementos da tríade de 90/90/90 definidos pela ONU são atingir 90% dos diagnosticados em tratamento e 90% dos que estão em tratamento atingirem carga viral indetetável (o que torna muito baixa a possibilidade de transmitir a infeção).
 
De acordo com os dados dos casos não diagnosticados, António Diniz considera que Portugal não deve abrandar o ritmo do diagnóstico precoce, mas tem de passar a incidir nos outros dois objetivos definidos pela ONU.
 
Vários são os fatores que podem contribuir para a ausência de diagnóstico, como a noção de risco ou até o acesso aos cuidados de saúde. Mais um motivo é o facto de a infeção por VIH ser uma doença que fica assintomática durante muito tempo.
 
O estudo apurou que o tempo médio para o diagnóstico após a pessoa ser infetada se situa nos quatro anos em Portugal.
 
 “Ainda não é o tempo ideal, mas anda longe dos oito ou nove anos que tivemos [há duas ou três décadas] ”, comentou António Diniz.
 
O estudo, que reporta a valores de 2014, indica ainda que só nesse mesmo ano terão ocorrido mais de 500 infeções por VIH.
 
António Diniz considera que este estudo vem mostrar que pode ser possível chegar a 2030 apenas com casos isolados de VIH/sida, sendo que é imperioso que em 2020 se atinjam as metas definidas para 2020 pela ONU.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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