VIH: testes rápidos não detetam infeções recentes

Aviso da Associação de Analistas Clínicos

01 abril 2013
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Os testes rápidos de diagnóstico do VIH não estão preparados para detetar infeções recentes, avisa a Associação de Analistas Clínicos após a divulgação do facto de os centros de saúde começarem este ano a realizar estes exames.
 

“Não pensamos mal dos testes de diagnóstico rápido. Desde que tenham boa qualidade são bem-vindos ao mercado. Mas têm algumas contraindicações. Uma delas é que não detetam as infeções recentes”, referiu à agência Lusa Elisabeth Barreto, vice-presidente da Associação Portuguesa de Analistas Clínicos (APAC).
 

De acordo com a responsável, enquanto os testes feitos em laboratório detetam as infeções recentes por VIH-1 e VIH-2, os de deteção rápida não estão validados para o fazer.
 

“Além disso, se derem resultado positivo, não dão garantias totais na deteção do HIV-2. Nós somos um país com uma grande percentagem de infetados apenas por HIV-2. Para já, não há ainda nenhum teste rápido que dê garantias na deteção de HIV-2”, declarou.
 

A APAC garante que os testes em laboratório conseguem dar, numa hora, um resultado correto de VIH-1 e VIH-2. Já os testes rápidos darão resultados em cerca de cinco minutos. Mesmo nos casos em que os testes rápidos indiquem um resultado positivo para a infeção por VIH será sempre necessário, segundo a associação, fazer uma contra prova nos laboratórios de análises clínicas.

 

Para os analistas clínicos, pode estar aqui em causa também uma duplicação de custos, uma vez que, em caso positivo, o utente tem de fazer novo exame laboratorial pago pelo Serviço Nacional de Saúde.
 

No caso de resultados negativos pode também haver necessidade de repetição do teste, uma vez que pode ficar instalada a dúvida no utente: “Se o teste der negativo, ficará sempre na dúvida. Se achar que pode estar infetado há muito pouco tempo terá sempre de repetir o teste”.
 

Elisabeth Barreto revelou à agência Lusa não compreender quais as vantagens para os utentes da opção por estes testes rápidos de diagnóstico, lembrando que o Serviço Nacional de Saúde comparticipa praticamente na totalidade a realização de um teste de VIH num laboratório, desde que prescrito pelo médico de família.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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