VIH: teste pode ser realizado num dispositivo semelhante a uma pen

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

14 novembro 2016
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Investigadores do Reino Unido desenvolveram um dispositivo que apenas necessita de uma gota de sangue para detetar o VIH, criando um sinal elétrico que pode ser lido por um computador ou um dispositivo portátil, revela um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
O dispositivo desenvolvido pelos investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, e pela DNA Electronics pode ser utilizado pelos pacientes com VIH para monitorizar o tratamento e permitir um controlo mais eficaz da infeção em locais remotos. 
 
O estudo demonstrou que, para além de o dispositivo que monitoriza a quantidade do vírus na corrente sanguínea ser muito preciso, é capaz de produzir resultados em cerca de 30 minutos.
 
Atualmente, os testes que detetam a quantidade de vírus demoram cerca de três ou mais dias a fornecer os resultados, envolvendo o envio de uma amostra de sangue para um laboratório. Em muitas partes do mundo, particularmente aqueles com o maior número de infeções pelo VIH, estes testes não existem.
 
O tratamento antirretroviral atual para o VIH reduz os níveis do vírus para perto de zero. No entanto, em alguns casos, a medicação pode parar de funcionar, talvez devido ao facto de o vírus desenvolver resistência aos medicamentos. Isto pode ser detetado por um aumento nos níveis de vírus no sangue. Adicionalmente, a monitorização regular dos níveis virais permite que os profissionais de saúde verifiquem que o paciente está a tomar a medicação, uma vez que a sua interrupção pode ajudar ao desenvolvimento da resistência aos fármacos.
 
Os investigadores, liderados por Graham Cooke, explicam também que os níveis virais não podem ser detetados através dos testes de rotina, que utilizam anticorpos. Estes apenas podem informar se um indivíduo está infetado.
 
O investigador refere que os tratamentos contra o VIH melhoraram muito ao longo dos últimos 20 anos. Na verdade, muitos dos indivíduos diagnosticados com a infeção têm uma vida normal. No entanto, a monitorização da carga viral é crucial para o sucesso do tratamento.
 
Graham Cooke acrescentou que esta tecnologia pode permitir que os pacientes monitorizem regularmente os níveis virais da mesma forma que os indivíduos com diabetes verificam os níveis de glucose sanguíneos.
 
O dispositivo, que utiliza um chip de um telemóvel, necessita apenas de uma pequena amostra de sangue que é colocada numa pen USB. Se o vírus estiver presente na amostra provoca uma mudança na acidez, que o chip transforma num sinal elétrico. Este sinal é posteriormente enviado para a pen USB, que produz o resultado num computador ou dispositivo eletrónico.
 
O dispositivo foi testado em 991 amostras de sangue, tendo-se obtido uma eficácia de 95%. Os resultados foram obtidos, em média, em 20,8 minutos. Os cientistas estão atualmente a avaliar se o dispositivo pode ser utilizado para testar outros vírus como o da hepatite. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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