VIH: paciente com lúpus pode ser a chave de uma vacina?

Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”

13 março 2014
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Investigadores americanos descobriram que o sistema imunológico de um paciente com VIH e lúpus tem uma capacidade única para combater a infeção provocada pelo vírus, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”.
 

Os investigadores da Universidade de Duke, nos EUA, esperam agora reproduzir estes resultados numa vacina.  
 

O líder do estudo Barton F. Haynes explica que tem sido difícil produzir uma vacina contra o VIH capaz de levar à produção de anticorpos neutralizantes. Estes anticorpos, para além de serem capazes de se ligar ao vírus e despoletar uma resposta imune, impedem o vírus de completar a infeção com sucesso. Algumas pessoas infetadas com o vírus conseguem produzir estes anticorpos, no entanto este processo demora pelo menos dois anos.
 

Estudos anteriores, levados a cabo pela mesma equipa de investigadores, já tinham constatado que os anticorpos amplamente neutralizantes tinham uma reatividade cruzada com os tecidos do organismo.
 

O grupo de Barton F. Haynes colocou assim a hipótese de estes anticorpos não serem rotineiramente produzidos, uma vez que o sistema imunológico os encara como algo prejudicial. No fundo, o vírus encontrou um mecanismo único de escapar a este tipo de anticorpos adaptando-se e parecendo-se com os tecidos do organismo. Contudo, nas doenças autoimunes, como é o caso do lúpus, a tolerância imunológica está afetada, permitindo assim que estes anticorpos neutralizantes sejam produzidos.
 

Neste estudo, os investigadores identificaram um indivíduo com VIH e lúpus que após vários anos vui o seu sistema imunitário produzir estes anticorpos neutralizantes auto reativos.
 

Os autores do estudo alertam para o facto de estes achados não significarem que os indivíduos com lúpus são imunes ao VIH, devendo, tal como todas as pessoas, proteger-se contra o vírus.
 

“Esperamos que estes achados nos ajudem a implementar estratégias para o desenho de vacinas capazes de ultrapassar a tolerância do hospedeiro aos anticorpos neutralizantes”, conclui um outro autor do estudo, Mattia Bonsignori.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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