VIH: novo teste para detetar células latentes mais eficaz

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

01 junho 2017
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A cura do VIH está cada vez mais perto de ser uma realidade, com um novo teste de deteção de células escondidas que foi desenvolvido por uma equipa de investigadores.
 
Um dos grandes desafios para encontrar uma cura para o VIH tem sido conseguir determinar se o paciente está curado após ter sido submetido à terapia antirretroviral. O problema é que o vírus pode permanecer em células imunes com níveis de muito difícil deteção.
 
A equipa de investigadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Pittsburgh anunciou ter criado um teste com sensibilidade suficiente para detetar o VIH latente no organismo, com maior precisão, rapidez, menos dispendioso e trabalhoso do que o teste mais eficaz atual, conhecido como crescimento viral quantitativo ou Q-VOA (do inglês “quantitative viral outgrowth assay”).
 
O novo teste foi chamado de TZA e revelou que a quantidade de vírus que permanece latente no organismo em pessoas que aparentam estar curadas é cerca de 70 vezes superior ao que se pensava ser.
 
O VIH dissemina-se através das células CD4+ T, que são um tipo de glóbulos brancos muito importantes na proteção do organismo contra as infeções. As terapias antirretrovirais conseguem hoje em dia controlar o vírus ao ponto de o paciente poder ter apenas um vírus infecioso numa milhão de células CD4+ T.
 
No entanto a maioria do ADN do VIH integrado nessas células é defeituoso, o que significa que não causaria infeção. Assim que a terapia antirretroviral começa a atuar, é essencial determinar se o ADN do VIH detetado num teste poderá criar mais vírus e provocar uma recaída após o fim do tratamento.
 
Sendo assim, é necessário que o teste demonstre se o vírus detetado se pode replicar, fazendo o vírus desenvolver-se a partir da amostra. O teste Q-VOA oferece vários aspetos negativos: não é suficientemente preciso, requer uma quantidade elevada de sangue, é muito trabalhoso e dispendioso.
 
O novo teste TZA funciona através da deteção de um gene que só está ativo quando a amostra possui VIH que se possa replicar. O teste requer uma amostra de sangue muito mais pequena, menos trabalho, produz resultados numa semana e custa um terço do Q-VOA. 
 
“Ao usar este teste, demonstrámos que os pacientes assintomáticos submetidos a terapia antirretroviral possuem um reservatório de VIH maior do que se pensava – 70 vezes o que detetava o Q-VOA. Considerando que estes testes têm formas diferentes de medir o VIH com capacidade de replicação, poderá ser benéfico ter ambos disponíveis enquanto os investigadores procuram uma cura”, comentou Phalguni Gupta, autor principal do estudo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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