VIH: doentes deveriam “dar a cara” pela infeção

Apela o presidente da Abraço

05 dezembro 2016
  |  Partilhar:
Os doentes VIH deveriam começar “a dar a cara” pela infeção e mostrarem à sociedade que ser seropositivo não é “um bicho-de-sete-cabeças”, contribuindo assim para acabar com a discriminação, defende o presidente da Abraço, Gonçalo Lobo.
 
O apelo de Gonçalo Lobo surgiu no Dia Mundial da Luta Contra a Sida, uma infeção que atinge cerca de 45.000 pessoas em Portugal, segundo um estudo recente realizado por especialistas portugueses em articulação com o Centro Europeu de prevenção e Controlo de Doenças. O estudo estima que menos de 5.000 pessoas em Portugal estejam infetadas com VIH/SIDA sem saberem.
 
“Queremos apelar para que as pessoas comecem a dar a cara pela infeção pelo VIH e que possam, de um modo sereno e tranquilo”, revelar “o seu estatuto serológico perante a sociedade”, disse à agência Lusa o presidente da associação.
 
Gonçalo Lobo refere que é importante que “isto aconteça cada vez mais, para as pessoas perceberem que [ser seropositivo] não é um bicho-de-sete-cabeças e que não vai ferir ou magoar a vida desta pessoa”.
 
“Isto passa por uma sociedade mais tolerante, mais inclusiva e mais informada, porque a discriminação só existe porque grande parte das pessoas estão desinformadas, não sabem o modo de transmissão do vírus VIH e, principalmente, como é que ele não se transmite”, adiantou.
 
Gonçalo Lobo apontou casos como a Alemanha, em que o que está em discussão “é as pessoas com VIH mostrarem que são capazes de fazer qualquer tipo de trabalho e dão a cara por isso”.
 
Em Portugal, “ainda estamos no estadio em que as pessoas não dão a cara”, disse, lamentado a discriminação que ainda existe face à doença.
 
A discriminação “existe e nós sabemos que ela existe. Já acompanhámos e continuamos a acompanhar casos nesse âmbito. Obviamente que ninguém diz que perde o emprego por ser infetado pelo VIH, ninguém diz que vê um crédito vedado porque foi revelado o estatuto serológico dessa pessoa”, referiu.
 
No entanto, há mecanismos que permitem as entidades salvaguardarem-se e despedirem, não concederem créditos, seguros de saúde e até mesmo discriminarem no atendimento ao público, como acontece em alguns serviços hospitalares, disse o presidente da Abraço.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentar