VIH: descoberto manto da invisibilidade

Estudo publicado na revista “Nature”

11 novembro 2013
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Investigadores do Reino Unido descobriram o manto de invisibilidade que permite ao vírus da imunodeficiência humana (VIH) esconder-se dentro das células do hospedeiro sem despoletar uma resposta por parte do sistema imunitário, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

O sistema imune inato é a primeira linha de defesa contra as infeções, o qual integra um sistema de alarme que está presente em todas as células, para que a presença de um organismo estranho, incluindo vírus, seja detetado. Quando este alarme é disparado, a célula infetada inicia um programa antiviral e envia sinais para informar as outras células da presença de um vírus.
 

Há muito que a comunidade científica se questiona sobre a forma como o VIH é capaz de infetar as células do sistema imunitário e se replicar sem que seja dado o tal sinal de alarme.
 

Neste estudo, levado a cabo pelos investigadores da University College London, no Reino Unido, foram identificadas duas moléculas no interior das células do hospedeiro que são recrutadas pelo vírus para que este não replique o seu material genético demasiado cedo. Desta forma o VIH é capaz de se esconder do tal sistema de alarme e impedir a ativação do sistema imunitário.
 

O estudo apurou que, na ausência destas moléculas, o VIH fica exposto ao sistema de alarme e a resposta imunológica é despoletada. O tratamento visou as moléculas que ajudam o vírus a camuflar-se em vez do vírus diretamente, o que dificultou a mutação deste e a sua resistência a este tipo de tratamento.
 

“O VIH é muito hábil a esconder-se das defesas naturais do organismo, sendo esta a razão pela qual o vírus é tão perigoso. Agora identificamos o manto de invisibilidade do vírus, e como expô-lo, tendo assim descoberto um ponto fraco que pode ser explorado em novos tratamentos”, referiu, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Greg Towers.
 

De acordo com os investigadores, são necessários mais estudo, mas o potencial desta descoberta é enorme, não apenas para o desenvolvimento de um novo tratamento, mas também como complemento das terapias já existentes. “Estamos também interessados em verificar se o bloqueio destas moléculas de camuflagem podem ajudar a aumentar a resposta imune em vacinas experimentais contra o VIH ou ser utilizada na proteção da transmissão do vírus”, acrescentou o investigador.
 

A nossa esperança é conseguirmos um dia ser capazes de desenvolver um tratamento que ajude o organismo a eliminar o vírus antes que a infeção se estabeleça, conclui Greg Towers.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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