VIH: como ultrapassa a barreira sangue-cérebro?

Estudo publicado no “Journal of Leukocyte Biology”

05 fevereiro 2015
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Investigadores americanos perceberam como o VIH é capaz de penetrar na barreira sangue-cérebro, dá conta um estudo publicado no “Journal of Leukocyte Biology”.
 

Apesar de se saber que o VIH é capaz de atingir o cérebro nos estádios iniciais da infeção, causando inflamação e problemas de memória e cognitivos, ainda não se sabia até à data como este processo ocorria.
 

Neste estudo, os investigadores do Colégio de Medicina do Albert Einstein, nos EUA, resolveram este mistério, tendo demonstrado que o VIH depende de proteínas expressas num tipo de células imunitárias, os monócitos maduros, para entrar no cérebro.
 

Estas proteínas podem assim funcionar como alvo terapêutico de forma a impedir a entrada do VIH no cérebro. Adicionalmente estas proteínas podem ajudar a desvendar novos mecanismos e ajudar os fármacos a penetrar na barreira sangue-cérebro.
 

"Espero que este estudo chame a atenção para a necessidade de terapias farmacológicas que tenham por alvo o influxo de monócitos no cérebro como um meio de diminuir a entrada do VIH no cérebro e o distúrbio cognitivo associado à infeção", revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Dionna W. Williams.
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores analisaram o sangue de indivíduos saudáveis e infetados com o VIH. Após terem isolado os monócitos maduros do sangue dos indivíduos dos dois grupos, os investigadores determinaram o número de células presentes, quais as proteínas que as células expressavam e caracterizaram também a forma como estas entravam no cérebro.
 

O estudo apurou que os monócitos maduros apresentavam uma capacidade aumentada de invadir o cérebro devido à expressão de proteínas específicas à sua superfície, a JAM-A e a ALCAM.
 

De acordo com o diretor adjunto da revista onde o estudo foi publicado, John Wherry, os monócitos fazem parte da defesa do sistema imunológico contra vírus, mas estas células também são conhecidas por se comportarem como “cavalos de Troia” e transportam vírus do local inicial da infeção para outras partes do organismo.
 

“A identificação de como estas células facilitam a entrada do VIH no cérebro pode oferecer novas oportunidades de tratamento não só no âmbito da infeção do VIH, mas também noutras doenças neurológicas”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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