VIH: como persiste no organismo?

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

15 janeiro 2014
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Investigadores americanos descobriram o local onde o VIH se esconde e que o faz persistir ao longo de décadas no organismo, revela um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

A maioria das células humanas têm um tempo de vida curto, mas o VIH é capaz de permanecer no organismo durante décadas, apesar da utilização de tratamentos retrovirais eficazes. Os investigadores colocaram inicialmente a hipótese de o VIH infetar as células estaminais, uma vez que estas têm um tempo de vida mais longo. Contudo, estas são resistentes à infeção por este tipo de vírus.
 

Neste estudo, os investigadores do Hospital Geral de Massachusetts, do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), nos EUA, descobriram um novo grupo de linfócitos T, denominados por células estaminais T de memória, que estão envolvidas na persistência do VIH no organismo.
 

O VIH tem um impacto muito grande no sistema imunológico, uma vez que infeta um tipo de células, os linfócitos T CD4+, que habitualmente comandam e apoiam as ações de luta de outras células imunes contra a infeção.
 

Contrariamente à maioria dos linfócitos T CD4+, as células estaminais T CD4 de memória são capazes de sobreviver durante décadas, enquanto dão origem a vários subgrupos de linfócitos. Desta forma, as células estaminais T CD4 de memória infetadas que são, contrariamente às células estaminais, suscetíveis à infeção do VIH, dão origem a novas células infetadas, alimentado assim a persistência do vírus no organismo.
 

O estudo apurou que estas células expressam recetores que são utilizados pelo VIH para entrar dentro das células, o que sugere que as células estaminais T CD4 de memória podem funcionar como reservatório, de longa duração, deste vírus.
 

Os investigadores verificaram também que as sequências virais encontradas nas células estaminais T CD4 de memória, seis ou dez anos após infeção, eram similares às presentes nas células T circulantes logo após a infeção. Estes resultados indicam que o vírus persistiu sem sofrer muitas alterações. Foi ainda constatado que a quantidade de ADN do vírus se manteve estável ao longo do tempo.
 

“A identificação dos reservatórios envolvidos na persistência do VIH é um passo importante para o desenvolvimento de intervenções que podem induzir uma remissão a longo prazo do vírus, sem a necessidade de recorrer à medicação antiviral, e possivelmente eliminar por completo o vírus. Apesar de a cura do VIH ser difícil de obter, não é impossível”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Mathias Lichterfeld.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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