VIH: como ensinar o sistema imunitário a responder à infeção?

Estudo publicado na revista “Cell”

21 outubro 2014
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Investigadores liderados por um cientista português estão a tentar compreender como é que indivíduos infetadas pelo VIH desenvolveram anticorpos para enfrentar o vírus e propõem uma vacina "feita à medida" para as diferentes fases de resistência do organismo, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 

"Conseguimos determinar todos os passos de uma família de anticorpos desde o início, até à forma em que é mais eficiente contra o vírus, e conseguimos fazer o mapeamento das zonas do vírus que são importantes para o desenvolvimento destes anticorpos", disse à agência Lusa Fernando Garces Ferreira a propósito do trabalho publicado na revista “Cell”.
 

O investigador do The Scripps Research Institute (TSRI), nos EUA, e a sua equipa propõem "uma vacina que tem de ser tailor made, feita à medida, para os diferentes passos" para que se possa "guiar o desenvolvimento do anticorpo numa determinada direção".
 

O objetivo é "tentar ensinar o sistema imunitário de pessoas saudáveis, não infetadas com VIH, a produzir esses anticorpos para que, na eventualidade de uma infeção, o sistema esteja preparado para ter uma resposta rápida e eficiente", resumiu o cientista.
 

"Todos temos a possibilidade de desenvolver esses anticorpos, mas é preciso realmente guiar o sistema imunitário a desenvolver esses anticorpos, por isso, provavelmente, temos de dar ao organismo diferentes vacinas", explicou Fernando Garces Ferreira.
 

"Até agora, quando o anticorpo maduro se liga ao vírus, desenhamos a parte viral e é essa parte que injetamos no organismo e vamos ver se o sistema imunitário consegue reproduzir a criação desse mesmo anticorpo", explicou.
 

O que falhava era que, até esse ponto final, "há muitos outros processos desenvolvidos" que, se não forem tidos em conta, impedem que se chegue ao anticorpo final, capaz de enfrentar o VIH, um vírus "muito sofisticado".
 

A família de anticorpos objeto do estudo foi descoberta há alguns anos num doente com VIH e chegou-se à conclusão que 10 a 15% dos doentes, passados alguns anos, desenvolvem anticorpos "extremamente potentes" na neutralização do vírus.
 

O problema é que esses anticorpos "já chegam tarde porque o vírus já está instalado e uma vez o VIH instalado no nosso corpo é impossível removê-lo", acrescentou Fernando Garces Ferreira.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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