VIH causa doença cardíaca estrutural

Estudo do Hospital Universitário La Paz

13 dezembro 2013
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O vírus da imunodeficiência humana (VIH) causa doença cardíaca estrutural, conclui um estudo apresentado no encontro anual da Associação Europeia de Imagem Cardiovascular.

 

De acordo com um dos autores do estudo, Nieves Montoro, é há muito sabido que os pacientes com VIH têm uma elevada incidência de doença cardíaca estrutural, principalmente disfunção diastólica e hipertensão pulmonar, contudo a razão desta associação ainda não está perfeitamente clarificada.

 

Neste estudo, os investigadores do Hospital Universitário La Paz, em Espanha, decidiram investigar se o estadio do VIH ou carga viral detetada no sangue poderia estra relacionado com o grau de doença cardíaca.

 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 65 pacientes com VIH e dispneia. O estadio da infeção pelo VIH foi determinado através da contagem de um tipo de células imunes que são alvo deste tipo de infeção, os linfócitos T CD4, e pela presença de infeções oportunistas. A carga viral foi também determinada. Os pacientes foram também submetidos a um ecocardiograma transtorácico para avaliar se sofriam de alguma doença cardíaca estrutural, incluindo hipertrofia ventricular, sistólica ou diastólica ou hipertensão pulmonar.

 

O estudo apurou que 47% dos pacientes sofriam de algum tipo de doença estrutural, principalmente hipertrofia ventricular, disfunção ventricular esquerda, hipertensão pulmonar e insuficiência ventricular direita. Os pacientes com carga viral positiva apresentaram uma incidência significativamente elevada de doenças cardíacas estruturais, comparativamente com aqueles com carga indetetável do vírus.

 

“Constatamos que metade dos pacientes com VIH e dispneia tinha evidência ecocardiográficas de doença cardíaca estrutural. O nosso achado mais interessante foi que os pacientes com carga viral positiva apresentavam uma incidência significativamente maior de doença cardíaca estrutural. Na verdade, ter uma carga viral detetável no sangue quase que duplicou a prevalência de doença cardíaca, o que sugere que o próprio VIH pode ser um agente casual independente”, referiu em comunicado de imprensa Nieves Montoro.

 

A investigadora acrescentou ainda que este estudo mostra que há uma associação entre a presença do vírus no sangue e a doença cardíaca. Estes resultados abrem assim portas para a hipótese do VIH estar envolvido na etiologia dos danos cardíacos. Sabe-se que o VIH pode produzir uma resposta pro-inflamatória e este processo pode também envolver o coração.

 

“A deteção precoce de problemas cardíacos nos pacientes com VIH através de uma ferramenta simples de diagnóstico, como a ecocardiografia, permitirá tratar estes pacientes numa fase precoce da lesão cardíaca e melhorar o seu prognóstico. Os pacientes com carga viral detetável no sangue e ou doença cardíaca estrutural devem ser acompanhados de perto por um cardiologista e um especialista em VIH”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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