VIH: a caminho de uma vacina universal?

Estudo publicado na revista “Immunity”

11 abril 2016
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Uma equipa internacional de investigadores identificou um anticorpo imaturo que faz parte de uma classe de moléculas imunitárias capazes de combater o VIH, dá conta um estudo publicado na revista “Immunity”.
 
O VIH tem sido difícil de combater, porque o vírus muta rapidamente e tem um conjunto de defesas resistentes, incluindo um “escudo” de moléculas de glicano na superfície das glicoproteínas do envelope. Estas glicoproteínas são a maquinaria viral utilizada para o contacto inicial e, para posteriormente, infetar células hospedeiras humanas.
 
Uma vez que o VIH é um grande desafio para o sistema imunitário, os investigadores não podem utilizar métodos tradicionais para desenvolver uma vacina. Na opinião de um dos autores do estudo, Jiang Zhu, é necessário usar "engenharia inversa" para criar vacinas com anticorpos raros e eficazes de pacientes VIH-positivos como guias.
 
O anticorpo deste estudo foi isolado de um paciente chinês com um sistema imunitário capaz de produzir anticorpos com alguma capacidade de combater a doença. Do ponto de vista genético, este anticorpo assemelha-se aos anticorpos da classe VRC01, que são amplamente neutralizadores, ou seja, têm a capacidade de ter por alvo um local chave da vulnerabilidade de várias estirpes de vírus.
 
Estudos posteriores indicaram que o anticorpo em causa era um percursor dos anticorpos VRC01 maduros, isto é, encontra-se num estadio intermédio da evolução. Na opinião dos investigadores, este anticorpo “jovem” fornece aos investigadores uma visão única dos passos necessários para ativar o sistema imunitário de forma a combater eficazmente o VIH.
 
Os investigadores, liderados por Yuxing Li, estudaram amostras retiradas do paciente ao longo de cinco anos. A análise foi iniciada em 2006. Cada amostra mostrou o anticorpo num estadio diferente de desenvolvimento, fornecendo aos investigadores um guia de como estimular estes anticorpos com uma vacina.
 
Os investigadores ficaram surpreendidos ao verificarem que o anticorpo evoluiu rapidamente entre 2006 e 2008, adquirindo muitas das características necessárias para combater o VIH. Estes achados contrariam os estudos anteriores que tinham sugerido que os anticorpos VRC01 demoravam cerca de cinco a 15 anos a desenvolverem as características necessárias.
 
“Agora sabemos que estes anticorpos especializados podem evoluir em apenas um ou dois anos”, referiu Yajing Chen.
 
Na opinião dos investigadores, esta é uma descoberta promissora, uma vez que uma vacina contra o VIH também terá que ativar o organismo de modo a que este produza anticorpos rapidamente.
 
Os cientistas referiram ainda que esta é a primeira vez que um anticorpo do tipo VRC01 foi isolado de um paciente asiático. Os outros tinham sido isolados de pacientes africanos e caucasianos. Isto significa que as pessoas com diferentes backgrounds genéticos poderão beneficiar de uma vacina que ative a capacidade de o organismo produzir o VRC01.
 
“Isto pode ser importante para desenvolver uma vacina universal contra o VIH”, concluiu Jiang Zhu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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