Videojogos poderão auxiliar diagnóstico de doenças associadas à velhice

Estudo conduzido pela Universidade de Coimbra

22 novembro 2017
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Os videojogos têm potencial para poderem vir a ser utilizados como meio auxiliar de diagnóstico em doenças associadas ao envelhecimento, conclui um estudo preliminar desenvolvido por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) ao qual a agência Lusa teve acesso.
 
Desenvolvido por uma equipa de investigadores das faculdades de Ciências e Tecnologia e de Medicina da UC, o estudo centrou-se na avaliação de “serious games” (jogos aplicados a situações sérias) como “um instrumento útil para ser usado na avaliação cognitiva e estimulação da população idosa”.
 
Para isso, a equipa, constituída por Hélio Neto, Joaquim Cerejeira e Licínio Roque, “instrumentou três jogos com ferramentas de recolha de dados que permitissem estudar o desempenho das funções cognitivas do público-alvo”.
 
Os jogos foram depois testados com dois grupos de pessoas idosas. Um grupo seguido na Unidade de Gerontopsiquiatria do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), sob a supervisão do especialista Joaquim Cerejeira, e outro constituído por idosos saudáveis, acrescenta a UC.
 
Os resultados revelaram “uma correlação direta entre o desempenho obtido nos jogos e o resultado alcançado no teste MoCa”, isto é, “os jogadores que obtiveram melhor desempenho no teste padrão foram os que conseguiram concluir mais níveis nos jogos”, explica Licínio Roque.
 
Embora sejam necessários estudos mais aprofundados, esta correlação indica que os “serious games” poderão, no futuro, “ser utilizados como instrumento auxiliar de diagnóstico em patologias que envolvam avaliações neuropsicológicas”, adianta o investigador, citado pela UC.
 
“Os jogos podem, de uma forma menos stressante e mais atrativa, ser usados como indicadores de substituição para testes cognitivos. Por exemplo, a pessoa pode estar no conforto da sua casa e ser acompanhada remotamente pelo médico enquanto joga”, salienta ainda Licínio Roque.
 
O psiquiatra do CHUC e docente da Faculdade de Medicina de Coimbra Joaquim Cerejeira realça, por seu lado, que esta nova abordagem “poderá vir a ser útil para caracterizar e monitorizar a função cognitiva dos doentes de uma forma rotineira e cómoda”.
 
O médico ou neuropsicólogo poderá, dessa forma, “verificar se o desempenho do doente está de alguma forma prejudicado e verificar em que medida o tratamento instituído está a ser eficaz”, sublinha Joaquim Cerejeira.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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