Vida microscópica inteligente

Microorganismos geneticamente modificados que funcionam como microchips.

28 maio 2001
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Cientistas norte-americanos modificaram geneticamente microorganismos (do género Pseudomonas) que passam a funcionar como componentes de um microchip. Para conseguirem isto usam a maquinaria metabólica destas células.
 

 

Estes avanços podem vir a permitir o uso destes microorganismos “programados” para a detecção de poluentes em águas residuais ou, na área da medicina, na detecção de determinadas proteínas no sangue, por exemplo.
 

 

Estes “microchips vivos” funcionam numa lógica computacional na medida em que obedecem a entradas AND (e) ou OR (ou). No caso de estarem programados para obedecerem a entradas AND serão necessários 2 compostos para se produzir um resultado, tal como acontece num microchip, em que são necessários 2 impulsos eléctricos. Para entradas OR um de dois compostos pode desencadear a resposta.
 

 

Nos microorganismos este processo dá-se da seguinte maneira: um químico A ou B (função OR) entra na célula e promove a produção de uma substância X; uma segunda substância C terá que ser adicionada (função AND) que irá interagir com X para formar uma enzima Z que formará um produto visível e quantificável (uma luminescência, por exemplo).
 

 

A conjugação destas equações lógicas simples são a base para as tarefas altamente complexas que os computadores realizam. Também nos organismos vivos existe esta lógica só que, segundo os investigadores, o uso destes como microchips ainda irá demorar uma vez que estes componentes não são tão bons quanto os microchips já que são “mais lentos, têm maior ruído e são mais difíceis de manipular”.
 

 

Apesar deste mecanismo programado não alterar metabolismo normal da célula, o que permite que ela continue a crescer e multiplicar-se, em competição com outros microorganismos estes ficam a perder e serão dizimados uma vez que gastam parte das suas energias a computorizar em vez de a efectuar tarefas para a sobrevivência.
 

 

No entanto, as potencialidades são imensas. Em teoria uma só célula poderia efectuar funções muito complexas: o output de uma função poderá ser o input de outra o que gera uma cadeia de ligações. Assim, a mesma célula poderia estar a efectuar várias reacções paralelas ao mesmo tempo.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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