Vida em Marte ?

Meteorito revela vida ancestral

28 fevereiro 2001
  |  Partilhar:

Um meteorito de Marte poderá conter provas de vida nesse planeta. Essa é a conclusão de 2 estudos publicados ontem.
 

 

Após a investigação levada a cabo pelo centro espacial Johnson em Houston (EUA) e segundo o que foi publicado no jornal “Proceedings of National Academy of Sciences” , os cientistas afirmam que um mineral magnético cristalizado, conhecido como magnetite, foi encontrado no interior do meteorito e é semelhante ao formado na Terra por certas bactérias.
 

 

Segundo Kathie Thomas-Keprta, astrobióloga do centro espacial e co-autora desta investigação, estes cristais de magnetite formam cadeias regulares, muito semelhantes às produzidas por bactérias terrestres chamadas MV-1. Estas vivem na água e precisam de baixíssimas concentrações de oxigénio para sobreviverem. Os cristais magnéticos servem como “bússola” para a sua orientação enquanto se deslocam no fundo dos lagos, ajudando-as a encontrar meios com a concentração ideal de oxigénio.
 

 

A hipótese de que estes cristais tenham sido produzidos por bactérias terrestres não se coloca, já que se encontravam no interior da própria rocha do meteorito.
 

 

O meteorito em questão foi encontrado na antárctica em 1984, nas colinas Allen Hills, daí o seu nome ALH84001, mas só em 1993 foi descoberto que provinha de Marte. Com 4,6 mil milhões de anos é o mais velho dos 16 meteoritos encontrados na Terra e que se pensa serem fragmentos do Planeta Vermelho. Pensa-se que um asteróide terá colidido com Marte há 13 a 16 milhões de anos, catapultando este fragmento para o espaço, onde vagueou até colidir há cerca de 13.000 anos com a Terra.
 

 

Um outro estudo liderado pelo biólogo E. Imre Friedmann da NASA, realizado no Centro de Investigação Ames na Califórnia (EUA) reafirma a descoberta de magnetite em cadeia no meteorito ALH84001. As cadeias parecem ser rodeadas de “halos”, que se pensa serem remanescentes de membranas bacterianas, que circundavam os ditos cristais.
 

 

Este tipo de magnetite “em cadeia” não poderia ser formado de uma forma “inorgânica”, já que uma cadeia de cristais de magnetite colapsaria imediatamente devido ao campo magnético. O que evita essa fenómeno é o próprio organismo. Esta hipótese é reafirmada pela constatação de que os “elos” desta cadeia não se tocam (ao contrário de magnetite inorgânica) como se estivessem separados por uma fina membrana.
 

 

Mas existem cientistas cépticos em relação às “provas” apresentadas.
 

 

Em primeiro lugar será necessário apresentar uma contra-prova proveniente directamente de Marte ou de um outro meteorito.
 

 

Também se sabe que foram encontrados no meteorito muitos mais cristais de magnetite, sendo apenas cerca de 25% semelhantes com os produzidos pelas bactérias terrestres. Assim considerando a explicação mais simples como a melhor, se 75% foi produzido de uma forma não orgânica, o mais provável será que nenhum destes cristais tenha sido produzidos por um ser vivo.
 

 

Assim teremos que esperar mais algum tempo até obtermos provas inequívocas de que vida existe ou tenha existido em Marte, ainda que na sua forma mais simples.
 

 

 

Fontes: Los Angeles Times
 

Yahoo
 

The Washington Post
 

 

adaptado por David Ferreira
 

MNI – Médicos na Internet

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.